2016

Eu sempre achei muito errado um Mestre Conselheiro se candidatar para seu Capítulo ser sede de um evento, sendo que quando esse evento se realizar, ele não será o Mestre Conselheiro e provavelmente, não estará mais no Capítulo.

Eu vejo as Olimpíadas dessa forma. É claro que há todo um planejamento feito, muito dinheiro envolvido e, por isso, as coisas são mais certas do que em um Capítulo DeMolay. Mas, se alguma coisa der errada, se os jogos forem um fiasco, se tivermos um evento semelhante ao da Olimpíada de Munique em 72 (só que com traficantes no lugar dos terroristas), ou coisa pior; a culpa e as críticas vão cair no cidadão ou cidadã que estiver governando o país. Como se ele, ou ela, tivesse escolhido sediar as Olimpíadas. Triste isso. Mas não é essa questão que quero discutir.

Todos nós sabemos que não existe investimento do governo em esporte. Nosso atletas de linha não treinam no Brasil, não possuem apoio do Governo Federal e seus patrocinadores normalmente são estrangeiros.

Nossos centros esportivos não são de acesso da população. E são sucateados, mal construídos e deteriorados. Nas escolas públicas, vemos um material esportivo que é usado há pelos menos dez, quinze anos. E os programas que o Governo ocasionalmente lança, duram alguns meses e tem ação restrita a algum grande centro econômico ou populacional, não atigindo assim a massa.

Mas seremos sedes das Olimpíadas de 2016. E até Copa em 2014 teremos.

Haverá mudança? Haverá investimento no esporte? Nossos melhores atletas terão condição de treinar no Brasil? As empresas brasileiras, e as estatais principalmente, vão patrocinar nossos profissionais do esporte?

Até posso arriscar um sim. Mas um sim que vai até 2016, estourando um 2017. Dificilmente passará disso. Até posso ver as reportagens do Jornal Nacional: crianças treinando alguma modalidade, algumas entrevistas rápidas e no final uma criança fala que o sonho dela e ir numa olimpíada e ganhar uma medalha.

É nítido notar, que sediar as Olimpíadas e a Copa, são interesses de uma minoria. Eu não tenho condição de pagar um ingresso de jogo de Copa do Mundo ou entrada de Olimpíada. Creio que a imensa maioria dos brasileiros também não tem. Eu acho muito ilógico falar que “o povo quer”. Todo mundo vai ver é pela TV mesmo. E pra isso as Olimpíadas podem estar acontecendo em qualquer parte do mundo, que não faz diferença.

E é esse nosso Brasil.

Somos um país de planos e ocasiões. As coisas vão bem quando há oportunidade de se mostrar que elas vão bem. E para as coisas irem bem, traça-se planos e mais planos, projetos e mais projetos. Mas fica-se nisso.

E assim somos o país do futuro. Assim falavam nosso avós e assim, se continuarmos nesse ritmo, falaremos a nosso netos.

O Patriota acha um desperdício de dinheiro público as Olimpíadas e a Copa. Ele as vezes calcula quais seriam os resultados se todo esse valor fosse investido em educação e saúde. O Patriota que parar de viver em um país de sonhos e promessas. Ele quer um país de resultados.

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