Um filme

Pode até parecer um pouco estranho ouvir um jovem DeMolay falar em estar se aproximando do final da vida. Acredito que essa metáfora vem da Cerimônia da Maioridade, quando encerramos uma vida “quase perfeita” e passamos a viver na vida real. Inclusive já vão fazer alguns anos que já passei por ela, mas a sensação do dejavù ou do filme em slow motion ainda me atiça os sentidos.

Ontem como de costume, passava por uma das ruas da cidade onde nasci e onde aprendi boa parte do que sei referente à vida e a Ordem DeMolay. Ao atingir determinado ponto, ouvi uma voz que gritava: “Como vai? Você vai hoje à tarde? Meu filho vai.” Era uma tia que, por mais que o tempo passasse e por mais velho que eu já esteja ficando, ainda me tratava como se fosse o jovem DeMolay que ela conhecera anos atrás.

Fiz uma breve reflexão, porém sem as nostalgias de costume. Pensei, por quê sempre me cobram estar presente? Por que, para muitos, meu espírito essencialmente DeMolay não se abala? Por que, por mais que o tempo passe e que as águas do rio corram, serei sempre lembrado de que há Ordem DeMolay? E que nos tornamos tão próximos que separar-nos é uma tarefa quase impossível? Pois é. Por mais que tente e me esforce, parece que jamais conseguirei apagar o espírito que um dia esteve em mim.

Esteve? Ele ainda está, apesar de um pouco apagado com os excessos, os besteiras e as brigas por bobagem. Esse espírito ainda pulsa. E, assim como para O Cortês, a Ordem DeMolay será sempre um peso numa balança que anda bem desequilibrada no mundo atual…

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Gente nova no pedaço

Já notou qual é a sensação que você tem quando chega num lugar cheio de pessoas que você não conhece? Pior: que não tenha ninguém ou quase ninguém que você conheça? Dá taquicardia, frio na espinha, as borboletas do estômago se rebelam… E o medo de dar algum vexame? Nossa, é mesmo um horror. Mas a gente acaba sobrevivendo.

Nesse momento, procuramos algo que nos deixe minimamente à vontade: um sorriso, uma rodinha descontraída, uma fila (brasileiro adora interagir em fila)… Nos mantemos receptivos a tudo, o que nem sempre é algo bom de se fazer. Nem sempre temos a mesma carga de receptividade de volta e, assim, a inibição volta de forma piorada.

Todos nós passamos por isso. Em diversos momentos de nossas vidas. E na Ordem DeMolay, é claro, não poderia ser diferente.

Lembra do dia de sua Cerimônia de Iniciação? A chegada, a preparação, a cerimônia em si… E de repente tudo mudou: você passou a ter inúmeros irmãos, tios e primas. Mas antes disso sua vida foi um pesadelo: todo mundo estranho, diferente, ocupado demais para dar atenção a um “forasteiro”. Aí você ficou acuado, sem saber o que deveria fazer ali e, provavelmente, sem conversar com ninguém e sem dar início a amizades um pouco mais cúmplices. Nem mesmo com seus iguais, que também sentiam as mesmas aflições que você.

E os trotes? Ameaças, risadinhas abafadas, barulhos estranhos enquanto deveria permanecer nas trevas e em silêncio absoluto. Medo. Aflição. Angústia. Esperança de que alguém, quem quer que fosse, chegasse ao seu ouvido e dissesse um simples “tá tudo bem”, mas que lhe garantisse com esta atitude que nada de mal lhe aconteceria. Que você precisava confiar, em retribuição à confiança que foi depositada em você.

Ser um estranho no ninho pode ser bem mais fácil quando temos confiança naquilo que fazemos e no que fazem em relação a nós. Trabalhar com a insegurança e a instabilidade gera desânimo a longo prazo. E é importante que você, que já passou por todas as etapas descritas acima, possa inverter a situação, dar o primeiro passo e mostrar-se receptivo aos futuros irmãos. Eles precisam disso e – acredite – você também.

Não faças a outro o que não queres que te façam (Confúcio)

***

O Cortês espera que os irmãos mais velhos sejam cada dia mais responsáveis pelos que chegam, pois acredita que é todo deles o futuro da Ordem DeMolay.

Agradecimento especial ao Tio Rafael Xavier, GME-MG, leitor do blog e quem deu a idéia para o post do dia.

Aproximando da Face Divina…

Pensando na lógica em ser DeMolay e nos famosos ditos que um DeMolay deve honrar seus pais, todas as mulheres, tudo que da Pátria vem, assim também Deus como devido, penso então até onde conseguimos honrar todos estes compromissos em nosso dia a dia. Um DeMolay por si só, já tem todas as suas obrigações, muitos trabalham, estudam tem seus afazeres assi então paremos para reflexão: Conseguimos, conciliar tudo isso e ainda assim pensar em nossos deveres como DeMolays que somos?

Nas brigas e discussões em nossas casas, conseguimos nos recordar cada vez que fizemos uma luz considerada Amor Filial se acender e ser exaltada como 1ª virtude?

Nas nossas dificuldades por muitas vezes invocamos Deus, pedindo ajuda e consolo, será que em nossas felicidades também o procuramos para agradecer o quão bom tem sido?

Na correria dentro de nosso trabalho, lutando contra o relógio para cumprir tudo o que precisamos, será que ainda nos recordamos da Educação, e das tão antigas “palavrinhas mágicas” como Bom Dia, Por favor, obrigado!  Será?

Em nossas vidas será que somos exemplos de companheiros assíduos com nossos compromissos junto de amigos que sempre necessitam de nossas orientações e conselhos? Ou será que temos deixado de lado aqueles que nos apoiaram um dia?

Em nossa vida profana, seríamos exemplos corretos de fidelidade?

Seria talvez bobagem desse humilde Reverente, cobrar tudo isso, e porque não um pouco de Pureza daqueles que considera “irmãos por escolha”, e que também se comprometeram a seguir as virtudes retamente?

Quanto ao Patriotismo, agora frente às Eleições, e Campanhas, músicas e santinhos, muitas vezes cômicos, creio que é o mínimo como Patriotas que somos, ter senso e tentar votar naqueles que se dedicam à causa justa de um governo do povo, pelo povo e para o povo…Não é isso que falava aquela Cerimônia repetidas tantas vezes dentro de nossos Capítulos? Àqueles que tem um Título de Eleitor, que pensem e votem não por interesse próprio, creio que está na hora de pensarmos mais no coletivo, do que em nós mesmos.

É tão bonito dias de reunião, todos lá fazendo uma ritualística primorosa, falando cerimônias decoradas, pessoas antigas em nossa Ordem nos relembrando grandes preceitos e princípios, com uma oratória bem construída. Logo questiono, até onde tudo que falamos é realmente seguido por nós mesmos?

Depois de tudo isso apenas refletiremos, e continuemos ao menos na tentativa de sermos verdadeiros DeMolays. Estamos buscando não?!

 

O Reverente não pede que se façam santos, pede apenas que tentem colocar nossos princípios nas ações cotidianas. Até porque ele sabe que asas pesam e auréolas incomodam. O Divino não é para humanos, mas podemos tentar nos aproximar, não?

Contendas particulares

Olá amigos, agradeço os comentários no último post que fiz, espero que estejam gostando do Blog e dos seus escritos. Semana turbulenta, post em cima de post. Mas vamos lá…

Até onde vai a nossa amizade? Até onde nossos interesses não se chocam? Ou conseguimos transpor a vaidade, os interesses particulares em prol da manutenção de um amigo? Aqui vale uma citação:

  • “Se nos fosse dado o poder mágico de ler na mente uns dos outros, o primeiro efeito seria sem dúvida o fim de todas as amizades” Bertrand Russel

Afinal podemos concordar com o que diz Russel? Quantas vezes deixamos de expressar o que sentimos e/ou pensamos para agradar um amigo? Seria isto hipocrisia?

Você já teve aquele momento nostálgico em parar para pensar em quem eram seus amigos a 2, 4 anos atrás e o que aconteceu que levou você a se afastar dessa pessoa? Ou então já pensou em falar o pensa à respeito do que lhe perguntam e ver quantos amigos lhe sobram?

Em alguns casos brigas, divergências de opiniões ou ações acabaram por me afastar de pessoas que participaram por um bom tempo da minha vida. Mas o ser humano, foi feito para viver em sociedade, pelo menos a maioria de nós! E sempre estamos a renovar as amizades, perpetuamos aquelas que nos entendem e que aceitam como somos.

Creio que não devemos deixar de nos expressar, mas podemos dizer as coisas de variadas formas, podemos ser educados, ou não, para contestar um amigo, e é aí que reside boa parte das contendas, a forma como se dizer as coisas, um pouco de cortesia (O Cortês agradece) nunca é demais.

Às vezes a contenda leva ao embate de qualquer forma e aí então temos que saber discernir até que ponto é amizade realmente ou hipocrisia. Neste momento digo-lhes para conduzirem a situação com bastante sinceridade, e sem arautos, diretamente entre os ‘interessados’.

Acho que já deu para promover um pouco a reflexão dos Irmãos com este texto. Não ficou do agrado, mas está aí meus irmãos!