Eu passarinho…

Quem nunca na Ordem DeMolay não se deparou um dia, com alguém lhe dizendo:

 

“_Saia dessa vidinha sua, deixa de ser bobo e doar, tempo, paciência e trabalho com quem não está nem aí.”

 

Será? Creio sinceramente que o que mais vale nisso tudo não é nem o tempo, nem a paciência e nem o trabalho, mas sim o amor com que faço tudo aquilo que faço. Façamos, pois tudo que quisermos em função e bem de nossa Ordem, com o simples intuito de fazermos por amor, vontade e ânimo em querer melhorar aquilo que povde ser melhorado. Se vão ou não evoluir, melhorar os garotos espiritualmente e intelectualmente, tirar vícios e erros não me interessa. A minha parte está sendo feita pelo simples fato de AMAR a Ordem Demolay, pois ela até pode não fazer diferença na vida de nenhum outro, mas na minha faz uma diferença absurda.

Conversando com outro DeMolay por esses dias, andei refletindo bastante sobre vida pessoal e Ordem Demolay, não que esta seja uma profissão, mas as vezes é necessário refletir.

Pois bem, analisei e observei que precisava “saber conciliar mais” as duas vidas. Assim estou trabalhando pra me equilibrar e mudar aos poucos, tenho tido sucesso e está sendo bom pra mim.

 

Às vezes é necessário parar, pensar, dividir e continuar ambos os caminhos, porém agora com mais razão e equilíbrio. É tudo uma questão de consciência. Não precisa ser radical para sairmos do buraco.

E observei que nos dias de conflito interno e externo que tive nos últimos dias onde todos gritavam: “Saia! Saia! Isso já não é mais pra você!”

Foi na Ordem que encontrei alguém que disse: “Cadê você Reverente? Acorda moço! Vamos beber, cair e levantar…”

 

O Reverente continuará bebendo da maravilha chamada DeMolay, cairá ainda MIL vezes e sabe que dentro da Ordem terão mãos e mãos como em todos os lugares, umas o empurrarão, outras o erguerão. As que o erguer serão mais fortes, porque se o erguem é porque possuem algo imenso dentro de si, chamado Fraternidade. Os outros? A mão divina sabe o que faz.

 

“Todos estes que estão aí
Atravancando o meu caminho
Eles passarão
E eu passarinho….”

Mario Quintana

Beber, cair e levantar…

Antes que xiitas de plantão partam pra cima de mim por estar fazendo apologia ao uso exagerado de álcool, estou apenas reproduzindo o refrão de uma música de Aviões do Forró (yes, they exist).

Beber, cair, levantar, beber, cair, levantar…

Quando tudo está prestes a ruir e você já não acredita nem em si mesmo, não restam diversas alternativas. Talvez você esteja próximo ao final da vida, seja por morte morrida ou por morte matada (incluindo-se álcool, drogas e outros perigos mais que rondam a juventude – transviada?). Isso acontece muito quando se é jovem. Você quer desistir. Dizem que você tem que desistir, que você não serve pra isso ou praquilo outro. Mas, quase sempre, se persiste. Por quê?

Teoria número 1 – você é um jovem rebelde que não se rende ao que os outros falam;

Teoria número 2 – os outros são caretas demais pra perceber que você está sempre certo;

Teoria número 3 – um mix da 1 e da 2, adicionando um pouco de imaturidade comum da juventude;

Teoria número 4, teoria número 5… – variações mínimas das teorias anteriores.

E o pior de tudo. Você ainda continua a beber, cair, levantar. Saia do marasmo, deixe de besteira e volte a beber. Afinal, depois de cair, você sempre acaba levantando. É ou não é?

Novos começos…

“Você pode não escrever um novo começo, mas pode escrever novos finais…”

Não escrevi a frase ao pé da letra. Fiz a adaptação necessária para o assunto a abordar: finais…

Minha experiência como membro fundador de Capítulo me mostrou que, por mais difícil que fosse erguer um Capítulo, era praticamente impossível que alguém especificamente conseguisse derrubar um. Pois é, lembro das inúmeras vezes em que ficávamos preocupados de como seria o futuro, sem A ou sem B, com fulano de tal à frente do Capítulo. Fizemos previsões ótimas, assim como outras péssimas. E sobrevivemos. E o Capítulo também.

O problema nesse caso não é o final. O problema é quando se erra no começo. Volta e meia ouço alguém falando que está errado, mas que não vai dizer pra deixar quebrar a cara. Adoro ouvir isso. O sarcasmo que nunca existiu em mim, vejo transbordar em outra pessoa. Ela queira mesmo era estar ali, errando. É disso que sinto falta. Aprender com erros.

Se conseguissemos aprender cada vez que erramos talvez não fossem precisos novos começos. Aliás, se não fôssemos burros pra errar mais de uma vez, talvez nem fossem necessários novos finais…

Eu também odeio os indiferentes.

Há um tempo atrás, um dos paraquedistas escreveu um texto neste mesmo blog, chamado: “Eu odeio os indiferentes”. Pois bem, venho hoje lhes dizer, que agora eu entendo o que é “odiar os indiferentes”. Vejo que os únicos posts que temos neste blog (que é composto por 7 paraquedistas), são do Perseverante Amoroso e do Persistente Reverente. Digo-lhes, pois, que nós escrevemos aqui, não só como forma de melhorar nossa forma de redação ou português, ou quaisquer idéias de Ordem DeMolay, este blog fala de DeMolays para DeMolays. Porém, tenho percebido que dos 7 dias da semana, temos postado em apenas 2, o que convenhamos não é legal. O que analiso com tudo isso? Um maldito silêncio, como quem lê o que se tem para ler, e se alguém reclama, não o faz no próprio Blog como forma de cobrança ou de pedido, apenas resmunga solitário frente a uma máquina de passar tempo! Ora, muito nos é cobrado em Supremos, pouco cobramos. Muito nos é cobrado em Grandes Conselhos ou Grandes Capítulos, porém pouco cobramos também. E vejo que até em blogs DeMolays nem sequer mostram insatisfação ou faz qualquer movimento pra mudar a realidade. Acho que já fomos mais corajosos, o que falta à humanidade hoje é audácia. É opinião que nos falta, expressão como forma livre de poder exigir o que é de vocês por direito. Pensei em colocar uma baita figura escrita: GREVE!…E não postar mais enquanto os outros não voltarem, porém seria covarde em me juntar e não mais postar. Continuarei, convicto de que a minha parte eu faço! O que me resta é continuar a escrever, seja pra cobrir outros paraquedistas, ou postar ainda apenas as segundas-feiras, mas agora eu pergunto: “A vocês, o que lhes resta?”

O Reverente continuará intacto e acima de tudo Reverente. E grita: ATITUDE É TUDO! Ah! O que seria do Brasil se estivéssemos meio à crise e não tivéssemos ontem os famosos caras pintadas…O que nos falta é vontade.

Inveja dos cães

Passava durante a semana, dentro meu veículo automotor com motorista, também conhecido como busão, quando vi um cachorro à rua, lambendo a própria pata, enquanto calmamente esperava o tempo passar… maldito tempo passar…

Já algum tempo venho me questionando sobre o tempo. Que imperdoavelmente passa para todos. Outro dia, rezava pra pode sair de casa com a chave, para entrar quando quisesse. Depois, contava os dias para viajar sem ter necessidade de um acompanhante. Mais um tempo e aguardava para viver o sonho de fazer a faculdade que eu queria, mesmo quando todos iam contra mim. E hoje, o que sonho?

Perdi meus sonhos. Muito do que acreditava caiu por terra com o tempo ou amadurecimento. Era tão mais fácil quando apenas queria o videogame da moda (um Super Nintendo, diga-se de passagem). E eu vivia a reclamar. Sabe a sensação de que era feliz e não sabia (que inclusive já tratei em outros posts)? Pois é, ela tem voltado fugazmente quando nos aproximamos de momentos cruciais… Pena que essa sensação não passa…

Por isso a inveja dos cães… enquanto o mundo desaba, eles ficam ali, apenas lambendo suas patas. Vendo o tempo passar…

Percepção…

Nesta última semana resolvi ir até a Biblioteca Pública, alugar um livro que não tivesse nenhum vínculo com Faculdade, prova ou outro tema que fosse DeMolay ou algo assim. Aluguei um que o título me chamou a atenção…

Passado alguns dias comecei a ler. Durante a leitura percebi que eu ficava analisando trechos do livro e que ele me mostrava os valores que cultivávamos dentro do Capítulo. O livro se passa na década de 1960, e as pessoas do livro (americanos) eram bastante rigorosos com a questão de moral, respeito e limites. Separei alguns trechos que me fizeram refletir muito sobre: O que eu tenho aprendido realmente dentro do meu Capítulo e que coloco em prática?

“ Eddie é um veterano de guerra de cabelos grisalhos, prisioneiro de um vida inexpressiva de mecânico de brinquedos de um parque de diversões à beira-mar. A vida de Eddie, mudou de uma juventude otimista a uma velhice amarga. Seus dias feitos de uma monótona rotina de trabalho, solidão e arrependimento…”

 

No livro percebi relatos instintivos de Amor Filial…

 

“ De seu quarto, mesmo com a porta fechada, Eddie sente o cheiro da carne grelhada que sua mãe está preparando, com pimentão verde e cebola, um cheiro forte que ele adora.

_Eddie-dieee! – ela grita da cozinha. – Onde está você? Está todo mundo aqui!

 Sua mãe sempre comemorava seu Aniversário, não deixava a data ser esquecida apesar de Eddie não gostar. Quando recebia uma má notícia fazia tudo mudar, ligava a caixinha de música onde uma orquestra tocava suingue, que a mãe começava a acompanhar, dançando sorridente. Ia até Eddie e o levantava com as mãos. Ele sempre ia como se estivesse indo para a forca. Mas a mãe continuava dançando e cantando com seu rosto redondo e bonito, de um lado pro outro…até que Eddie acertava o passo com ela…Eles giravam pela sala, e se soltavam e riam e rodopiavam…”

 

Quantas vezes deixamos nosso mau humor adentrar os nossos verdadeiros votos de Amor Filial. Mal sabia Eddie que sua mãe não duraria a Eternidade.

 

“Todos os pais causam danos aos filhos. É inevitável. A juventude é como um vidro novo, absorve as marcas de quem a manipula. Há pais que mancham, há pais que racham e há uns poucos que esmigalham a infância de seus filhos em pedacinhos rombudos, sem nenhuma possibilidade de conserto.

O primeiro dano causado pelo pai de Eddie, foi o descaso, quando era bebê, o pai raramento o segurava no colo, quando era criança pegava-o pelo braço com irritação muito mais freqüente de que com amor. A mãe proporcionava ternura, o pai queria apenas disciplina. Muitas foram as vezes em que levou surras. Mas mesmo assim adorava o pai, porque os filhos adoram seus pais, independente do mal que eles possam lhe causar. É assim que aprendem a devoção.

Apesar de tudo, Eddie passou toda a adolescência esperando a atenção do pai. Seu pai quem lhe ensinava a trabalhar. Depois da Guerra, Eddie estava abalado e com uma perna inutilizada, o pai alcoólatra, chegou determinada noite em casa e se deparou com ele dormindo no sofá.

_Levanta – gritou atropelando as palavras, levanta e vai arranjar um emprego.

Eddie despertou e o pai continuo gritando.

Levanta! LEVANTA E VAI ARRANJAR UM EMPREGO!

Eddie apoiou-se nos cotovelos e gritou.

_CHEGA! – olhando seu pai com raiva, cara a cara, sentindo o cheiro de álcool e cigarro.

O Velho inclinou-se para lhe dar um soco, mas Eddie instintivamente agarrou o braço do pai no meio do caminho. Era a primeira vez que Eddie se defendia. O pai nunca mais falou com o filho.

Seu pai morreu aos 56 anos de pneumonia, dentro de um hospital. Certa noite, seu pai permaneceu sozinho no quarto, levantou-se da cama aos trampos e barrancos, atravessou o quarto e arranjou forças para levantar a vidraça da janela. Chamou por sua esposa com o pouco de voz que lhe restava, chamou por Eddie. Neste momento seu coração estava botando pra fora toda a culpa e arrependimento. Antes de amanhecer ele estava morto. As enfermeiras o encontraram e o arrastaram de volta pra cama por medo de perderem o emprego. Não disseram uma só palavra sobre o ocorrido.

Eddieé necessário perdoá-lo. As pessoas erram, mas o arrependimento existe, e o perdão também.”

 

Quantas vezes deixamos de perdoar?

 

O Reverente tem refletido demais…e isso é bom. A gente revê conceitos, tranquiliza e aconchega o cotidiano, aprendendo e vendo tudo aquilo que verdadeiramente colocamos em prática.

Próximo do fim…

Hoje a poucos dias dos meus 21 anos, começo a refletir sobre tudo que fiz na Ordem DeMolay. (Dizer que fiz pela Ordem DeMolay, hoje vejo que já soaria como um excesso de hipocrisia)

Pude fazer e conhecer grandes pessoas na Ordem DeMolay. Ela é uma oportunidade única, dificil de descrever. Os aprendizados também são para toda a vida, não me esquecerei da primeira vez que me confiaram uma tarefa, responsabilidade que me fora passada e que tive que ralar para atingir um resultado satisfatório.

Agora próximo de minha maioridade começo a refletir sobre meus trabalhos e se foram bem feitos. Se portei a coroa da juventude com dignidade como me pediram, se estou digno realmente da coroa da maioridade.

E nessa reflexão, descubro que fiz o melhor que pude, nesta jornada,  não mais simbólica, descobri que é dificil ostentar todas as virtudes, mas que vale a pena tentar, ainda mais se conseguir mudar uma pessoa que seja, com essas suas ações.

Um grande irmão me disse que para ser um grande líder na Ordem é preciso que a lideremos como um pai lidera uma família, com compaixão e justiça. E ser líder neste caso não é ostentar ou ter ostentado um colar, mas sim ser um exemplo a ser seguido pelos seus irmãos. O colar é meramente símbolo do poder e não de autoridade, já que esta ultima se conquista por meio de suas ações.

Mas vamos lá, minha fase como DeMolay Ativo passou, não sei dizer se foi rápido demais ou lenta demais, acredito que foi na medida necessária. O suficiente para amadurecer e crescer. E agora vem a fase como Senior DeMolay, onde vou ensinar a pescar e não dar o peixe como antigamente. Vai ser dificil mais vou aprender e crescer mais ainda. Sem contar as chocotas que isso me trará, já que sempre paguei muito dos Seniores.

O Companheiro está deveras tranquilo com a proximidade de seus 21 anos…