A bezerra morreu e a culpada é a mídia…

A primeira vez que eu devo ter ouvido essa expressão devia usar fraldas. O significado dela talvez nem seja o que empreguei desde que passei a me entender por gente (gente?!?), mas serve para mostrar a futilidade de nossos dias. Enquanto uns discutem problemas sérios, outros preocupam-se com a morte da bezerra (que já estava prestes a ir brejo a muito tempo).

Entidades civis, religiosas e ONGs estão mobilizando mundos e fundos para arrecadar mantimentos, utensílios, roupas e dinheiro para encaminhar aos desabrigados em Santa Catarina. E, diante desse assunto tão comovente em que milhares de famílias choram suas perdas (algumas centenas a perda de parentes), assisti a uma curiosa discussão em que um tio e um DeMolay discutiam se realmente aquelas famílias não mereciam passar por aquilo.

Admito que achei a discussão no mínimo surreal. Talvez por na hora estar rindo um pouco com o site Pérolas do Orkut ou realmente pelo conteúdo do embate verbal. “Aquelas famílias construíram nas encostas sabendo dos riscos, então eles que aguentem”, afirmava calorosamente um dos dois debatedores. Mais surrel ainda tornou-se quando um deles lembrou que há fome e miséria na África e ninguém presta atenção… é… quando achei que tinha terminado, recebo um e-mail dizendo que todo mundo está doando mantimentos, roupas e dinheiro pra Santa Catarina por causa da mídia.

Eis que cheguei a conclusão que sempre temos demônios e mais demônios pra justificar a miséria alheia. Quanto a sua própria miséria, os demônios são sempre os outros. Enquanto tantos passam fome na África, no Nordeste, na toda-poderosa China e até mesmo no modelo de socialismo de Cuba, discutimos, discutimos e discutimos. E, no final, o que aconteceu?

A bezerra morreu, culparam a mídia, discutiram sobre o trágico falecimento dela e, infelizmente, outras bezerras morreram em seguida… e não foi a febre aftosa ou a vaca louca… foi a miséria humana…

Anúncios

Pra quê?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Reverente sabe que às vezes é necessário se calar. Sabe que o silêncio muitas vezes diz muito mais que tapas, socos e sermões da montanha. Sabe também, que o “não dizer ou não comentar” dói mais do que qualquer outra coisa. As pessoas já esperam o julgamento, e quando notam que se tornaram insignificantes perante nosso bom senso, elas se deprimem. Em algumas situações é necssário sentar e assistir, deixar que as pessoas batam com a cabeça na parede pra ver que concreto dói. . É como com crianças, falar pra elas que tomada dá choque, não é o suficiente. É necessário deixar que elas levem um pra entender que enfiar tesoura, ponta de faca e o dedo naquele buraco não é tão interessante. Pensar duas vezes antes de falar, e ouvir mais, e falar menos. Deixa acontecer. É bom que não se repete.

“Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos.”

Oscar Wilde

Verdade?

Prezados Irmãos do CdPQ, voltei! Desculpem a ausência. Alguns dias enfrentando o Dark Side…

A reflexão que trago hoje é sobre a verdade. O filósofo Nietzsche apresentou um conceito que me parece o melhor para verdade

“Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas”.

Realmente não há verdades absolutas, bem como não há pessoas que saibam de toda a verdade. Pois como o filósofo da citação crê, a verdade nada mais é que uma ponto de vista de um fato. E este ponto de vista é influenciado pelo tempo. Porém onde quero chegar com esse papo de verdade?

Freqüentemente na Ordem temos que encarar a verdade ou dize-la. Gostamos de encara-la? Ou de dize-la?

Estamos entre irmãos e por diversas vezes os irmãos nos pedem opiniões sobre ações que serão tomadas, como uma candidatura, uma disputa entre membros e tantas outras questões que nos aparecem eventualmente. Como agimos? Com o coração, em favor de nosso irmão e amigo. Ou então com a razão, em favor do bem da Ordem e do bem do próprio Irmão.

Esta encruzilhada nos é apresentada no nosso dia a dia. E como escolhemos agir?

Certa vez em uma festa, ouvi de uma amiga a seguinte frase: “Um pouco de mentira no relacionamento faz bem.”

Será que é só no relacionamento? Alias faz bem mesmo? Ou só adia situações complicadas no momento. Situações específicas que não sabemos lidar e vamos adiando, contando um mentira aqui ou omitindo uma opinião ali. Para que um dia finalmente a situação se resolva, geralmente da pior maneira. Ou então você omitindo novamente uma opinião para poder sair como o conciliador, amigo, pacífico.

Desde um bom tempo tenho preferido dizer a verdade, é um exercício difícil. Muitos sofrem a minha volta com isso, até aceitar a verdade, pois afinal ela doi. Mas e a mentira? E a omissão? Construiremos nossa vida em um alicerce de areia? As pessoas demoram e sempre demorarão para entender minhas ações, mas ao longo elas verão que foi o melhor.

Melhor um amigo dizendo seus defeitos que um inimigo seu. Alias que valor se dá a palavra de um inimigo? Todos nós temos defeitos, como tentar melhorar, buscar uma perfeição inatingível se não soubermos em que erramos?

“A verdade é filha do tempo, não da autoridade”. Francis Bacon

Então vamos dar tempo ao tempo e descobrir o que a vida ensina!

O Companheiro tem andado bem apreensivo e pensativo nos ultimos dias…

Pedido

Estimados leitores do Caí de Pára-Quedas:

Hoje, assim como toda terça-feira, é meu dia de postagem. E os leitores mais assíduos devem ter notado que eu não saltei por aqui na semana passada. Pois bem: a pessoa aqui está com altos déficits de criatividade e gostaria muito de contar com a ajuda de vocês.

Faz tempo que não participo das atividades da Ordem DeMolay e não tenho acompanhado listas de discussões, comunidades, blogs e afins. Como sei que este blog não é a única fonte de informação sobre a OD (ainda bem), tenho certeza que muitos de vocês também xeretam outros cantos da internet atrás de novidades.

Sendo assim, convido vocês a sugerirem temas para meus textos. Digam o que querem saber, o que esperam deste blog, o que gostariam de ler por aqui que eu e meus companheiros ainda não tenham escrito.

Será uma honra atendê-los! 😉

E-mail para contato: caindodeparaquedas@gmail.com

Fraternalmente,

O Cortês

Espelho, espelho meu…

A questão de espelhos dentro da Ordem é tão complexa como qualquer questão de filosofia ou teologia que posto na prática muda, conforme pessoa, grau de instrução e história de vida.

O Cortês já nos remeteu a idéia de Espelhos e Heróis, mas engraçado é notar o quanto a gente muda dentro da Ordem. Uma vez fiquei analisando o que a Ordem havia melhorado em mim, percebi que tenho um Oratória razoavelmente boa, assim como tenho uma boa leitura e também meu jeito “sistemático” (como diz um Demolay do meu Capítulo) aprendeu a se delimitar e tolerar também (por mais difícil que seja).

Logo me perguntei:

Será que se eu não fosse DeMolay, não conseguiria melhorar Oratória, leitura, questões como mais paciência, tolerância e um “sistema” mais reto?

Creio que não, somos cômodos demais pra buscar a melhora por si só. É mais cômodo permanecer assim. Talvez que a vida ensinasse, mas melhor que o Capítulo tenha ensinado com mais Amor, até porque creio que a vida ensina mais na Dor.

Revendo alguns trabalhos e lembrando os meus primeiros momentos dentro da Ordem, lembrei de como eu era inseguro perante os demais DeMolays. Tremia, ficava ansioso, nervoso ao levantar, falar, fosse algo Ritualístico ou algo simples como sugestão.

E pra quem eu sempre olhava como que perguntasse:

Estou fazendo certo?!

Para aqueles em que me espelhava lá dentro, com um medo imenso de reprovação, assim como um entusiasmo magnífico a cada sorriso de orgulho ou aprovação.

Ah!..O que seria de mim sem meus espelhos. Hoje, ainda tenho meus espelhos dentro da Ordem, mas não são mais os espelhos de dentro do meu Capítulo, os espelhos de lá já não estão lá. A gente sempre busca algum ponto de referência, conforme a necessidade que temos.

Talvez também hoje, eu seja um espelho. E isso me traz ainda uma insegurança. E foi assim, que percebi, que a insegurança continua em mim, só que agora não como “reflexo”, mas como espelho, mudou-se a figura, porém o sentimento é o mesmo e as perguntas se modificam. Antes a gente se perguntava:

_Será que estou fazendo certo?

Hoje pensamos:

_Como devo falar isso sem magoá-lo ou dar mau exemplo?

 

Jean Cocteau tinha uma frase que cai perfeitamente neste contexto:

 

“Espelhos deveriam pensar duas vezes antes de refletir”

 

Que assim seja!

 

O Reverente reflete também, seja como espelho, seja como pensante. Ele já se espelhou, mas hoje, ainda se espelha. E ainda gosta do famoso Reflexo, seja na vida como filho, como cidadão ou como Demolay. Ele percebeu também que foi dentro da Ordem que aprendeu a diferenciar espelhos de boa qualidade e espelhos de má qualidade. E isso ele levará pra vida toda. Que Deus o ajude a ser um daqueles grandes espelhos e que  tenha por característica a boa qualidade, ou senão, ao menos ajude-o a seguir os que possuem uma imagem real, nítida e limpa. A humanidade durante toda história tem procurado isso.

O inimigo dorme ao lado…

E não estou falando de relacionamento homem x mulher…

Há alguns meses atrás, deparei-me com uma situação constrangedora. Um “Irmão”, vindo de um outro Estado, precisava passar 3 dias na casa de um Irmão antes de poder embarcar novamente para sua terra natal. Antes disso, um grupo de DeMolays mais ligados saíam sempre com esse indivídio, resenhavam e pagavam suas contas, sem perceber quem era ele…

Um belo dia, num sábado da vida, alguns começaram a estranhar que as informações não batiam. Ora ele era DeMolay de Santa Catarina, ora era do Rio Grande do Sul. Ora ele era Chevalier, ora ele falava que era Cavaleiro. Ora ele tinha investido na Cavalaria, ora ele era DeMolay Ativo. Pois é… o garoto ainda tinha sido MC algumas vezes e chegou a ser MCE duas vezes no Amazonas. O que ele era realmente?

Em pleno mês de agosto ele passara na prova da AMAN que aconteceria em outubro. Uma noiva veio de não sei onde, vendeu duas Lojas pra ficar com ele e, de repente, ele esquece ela no aeroporto. Pois é… quem era esse cara?

Até hoje não sabemos quem realmente ele era. Mas será que ele era realmente DeMolay?

Ah, ele ficou quase 15 dias dormindo na casa de um Irmão e só saiu quando o tio (pai do Irmão) começou a reclamar que era inadimissível aquela situação…

E viva a Pegação!!!

Atualmente, dentro da maioria dos Capítulos, anda ocorrendo nos DeMolays um aumento acelerado no número de hormônios que causam, além dos famosos problemas e características da puberdade, também uma necessidade grande de gastá-los de qualquer forma possível (e às vezes impossível).

Sendo assim, tenho visto muitos DeMolays desesperados e afoitos que tentam gastar essas energias na “pegação” deles de cada dia. Não bastasse isso, começaram a ficar neuróticos e compulsivos perante algumas situações.

 

“Ei DeMolay! Vamos ao Congresso?”

E com uma cara a “la maníaco” ele responde:

“_Vai ter Filha de Jó? Rainbow?

Não filhinho, é Congresso DeMolay e, em Congresso DeMolay, vai ter DeMolay!

Ah!…”

E aí você traumatiza o pequeno adolescente em pleno conflito existencial.

 

Lembro certa vez que um DeMolay namorava sério com uma Filha de Jó, já fazia alguns meses. Por alguns problemas no relacionamento, os dois resolveram se separar, mas óbvio que o sentimento dos dois permaneceria por ali durante algum tempo, mesmo que magoados ou separados. E ai, veio o auge naquele Capítulo:

“_Obaaaaaaaaaa, Filha de Jó solteira no pedaço!!! Quem chegar por último é a mulher do padre!!!”

E começa a disputa pra ver quem pega quem!

 

Isso me lembra um poema clássico de Carlos Drummond de Andrade que dizia:

“João amava Teresa,
que amava Raimundo,
que amava Maria,
que amava Joaquim,
que amava Lili,
que não amava ninguém.”

 

Só que percebi ao lembrar deste poema que o Carlos, poeta sábio e bastante conhecido havia esquecido de completar:

“e todos os garotos eram DeMolays, e todas as garotas eram de outra Ordem também para- maçônica.”

 

Pois sim, voltando à historinha, o DeMolay estava chateado pelo fim do namoro, e descobriu que passado 1 semana do término, o irmão melhor-amigo havia gastado sua ansiedade com a Ex. Aquilo criou um atrito imenso dentro do Capítulo, dividiu grupos e opiniões e por aí se questionou: Onde está a tal Fraternidade?

Vivemos pregando:

*Nós somos irmãos e respeitamos uns aos outros!

*Nós buscamos a Pureza de pensamentos, ações e palavras!!

*Nós temos algo chamado Companheirismo e somos fiéis aos princípios desta Ordem!

Logo, tudo foi ao “chão”.

 

Até na famosa Tábua dos 10 mandamentos tocaram: “Respeitai a mulher do próximo.” Mesmo que o próximo seja seu Irmão. Ironia a parte, creio que mesmo que rolasse algum sentimento ou tipo de flerte, o Demolay deveria ter esperado no mínimo o tempo pra ferida cicatrizar. Ele que acalmasse os ânimos de outra forma. Ops! Aí está o problema, ele procuraria outra prima, seja ela quem fosse.

Foi assim que perceberam que o Capítulo e o Bethel praticamente viraram um só.

Fulano tinha ficado com Beltrana que namorou Sicrano e que tava ficando agora com a Fulana que já tinha ficado com Beltrano e Fulanão que já passou por outras também não sabia se ficava novamente com ela ou ficava com a Bonita que tava ali.

 

BAAAAAAAASTAAAAAAAA!

 

Foi necessário podar as plantas pra revigorarem e desenvolver-se novamente. O assunto virou pauta de reunião, foi analisado, e logicamente quem tava ali entendeu o recado. Após o acontecido, creio que todos rezavam pedindo ao Moço do Céu que apagasse o fogo, quando na verdade o incêndio já havia sido apagado.

Meu Deus, quanto trabalho!

O fim?

Sei não. Espero que não tenha sido o mesmo colocado por Carlos…

 

“João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.”

 

O Reverente entende o problema hormonal enfrentado. Mas sabe também que Pureza de intenções, Senso e Respeito aos Irmãos são coisas primordiais não só dentro da Ordem, mas dentro dos nossos próprios Corações, Lealdade é tudo nessa Jornada, e a Regra da Lealdade é clara: Ou você tem, ou você não tem. Quem a tem está no círculo que lhe acolhe e cabe. Quem não tem…

 

Bye Bye Guy!