Já se passou a Aurora…

As pessoas mudam de verdade, ou são as coisas ao seu redor que mudam e não se adéquam mais a elas?

Este final de semana, devido a datas comemorativas, congressos e uma visita a meu Capítulo me fez estar em um período que considero ‘nostálgico’, porém necessário. É muito perceptível as mudanças ocorridas, o famoso ‘ver que o tempo passou’ e que o que era, hoje não é mais. Lembrei-me de festas antigas na loja onde eu participava como DeMolay. Lembrei-me de pessoas que sempre foram muito especiais pra mim e que hoje mal se lembram que são DeMolays ou de outras instituições paralelas. Pessoas que hoje, já não participam das nossas atividades, e que já foram muito importantes pra existência de tudo aquilo.

Pensar que as brincadeiras passaram, que as risadas findaram, que muitos já se despediram e que novos adentraram. Pensar que não conseguiremos mais nos reunir, ou voltar no tempo onde tudo era diferente. Sim, eu acho que estou tendo uma crise tardia de “na minha época…”

É triste perceber que as pessoas deixam de lado aquilo que mais gostavam. Mesmo sabendo que elas precisam seguir o caminho delas. A palavra do fim de semana (por incrível que pareça) é ‘Saudade’ (entenderam né?!) Acho que foi obra divina para que me sensibilizasse mais com tudo que estava sendo notado.

Aproveitar cada tempo como se fosse o último, pode ser dica antiga ou já inutilizada, mas é o que sempre deveria acontecer. Pena que a gente só se lembra disso, nos momentos de saudade e lástima.

O Reverente reza a Deus que nos abençoe, que faça com que cada um que passou por nossas fileiras nunca se esqueça dos bons momentos que viveram, por mais que tenham sofrido também. “A saudade é uma coisa estranha que adentra o peito, se acomoda e não sai mais. Não há remédio pra ela e, assim como todas as dores ela sofre o efeito montanha russa, tem dias que dói mais e noutros nem dói…”

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Ô saudade…

Na ultima semana O Reverente escreveu um texto, pois estava cansado das ações humanas que repercutiam em sua vida de tal forma que alem de deixá-lo mal, o conturbava e agitava. Pediu que o fim de semana fosse melhor e que tudo corresse mais tranqüilo. A semana não tinha sido das melhores, uma fase de enfermidades e tristezas adentraram a vida do Reverente e não parecia querer mais sair. Em uma semana o primo de 4 anos de idade fez uma cirurgia complicada, a bisavó foi internada às pressas com graves sintomas, o pai de um DeMolay que ele admira muito faleceu e fui tentar amenizar a situação ficando junto dele praquilo que ele precisasse. Freqüentei hospitais, vi mortes de perto, assim como o sofrimento de tantas pessoas que ainda tinham esperança de sair bem e voltar pra casa. Vi a ansiedade e a tristeza e, por mais equilibrado que seja, se conformar não é fácil. Durante todas as visitas, minha bisavó lúcida, porém fraca me contava histórias como fazia rotineiramente. Sempre gostei das histórias dela, contava sobre sua juventude, casos da família e ríamos juntos. Risada gostosa aquela que sabia dar! Jeitinho simples de quem amava a vida que tinha, por mais difícil que fosse. Uma vontade de viver, de seguir em frente, comprar a geladeira nova que namorava em pensamento. Apesar de toda idade e mesmo doente, ela percebi que ela tinha sonhos. Na sexta-feira além da complicação do quadro de minha vó indo para a UTI, uma tia de Goiás faleceu aos 77 anos de idade por pneumonia, que devido à idade e complicações não pôde se recuperar. Sei, pois, que até o Prefeito Municipal faleceu neste dia, tendo luto oficial no sábado e um funeral com toda pompa cheia de políticos, autoridades e cortejos. No sábado, recebemos um telefonema de que um primo de Jundiaí iria operar por ter encontrado 3 cistos no cérebro e pediam orações.

O Reverente acabava de deitar pra dormir no domingo às 2 da manhã, quando recebeu o telefonema da morte da sua bisavó. Ela não suportou e veio a falecer. Foi um velório cheio de lembranças, lágrimas, saudade, jeito triste de rever familiares que há anos não via. Ver laços de esperança de eternidade ser quebrados em mil partes…

Foi um domingo mais nostálgico que os domingos comuns, onde a tristeza tomava conta daqueles que chegavam com um “Até breve”…Aí eu penso, até que ponto vale a pena as brigas e dores e sofrimentos sem necessidade que tomamos a frente e iniciamos durante nossas vidas? O “dar valor enquanto se tem” nunca foi tão real na minha vida, quanto agora.

O Reverente vai dar mais valor à vida. Vai tentar seguir o exemplo de quem se foi. Sabe que não é a primeira e nem vai ser a última perda que terá que enfrentar. Mas não é fácil, por mais entendido e explicado que seja. Sentirá saudade da roça, das caminhadas, dos pastéis, dos risos, da mão quentinha que acariciava, da vaidade de quem apesar da idade amava se aprontar e ficar bonita, saudade das pamonhas e roscas caseiras e das palavras simples e de grande afeto. Dos casos. E a última coisa que pude dizer junto de um rápido beijo no último dia que a visitei foi: “Tchau vovó, eu volto logo.”

 

Ame hoje, mais que ontem. E amanhã mais que hoje. A fração de segundos chega na verdade a milésimos e tudo passa muito rápido e é nesse intervalo, que a gente perde, sem nem se dar conta do quanto há pessoas especiais à nossa volta.

Saudade é tempo presente.

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

É tão subjetivo falar em “Saudade”. Ela parece algo que é solto no ar, que não se pega, não se vê, e vem quando menos esperamos e vai sem ao menos percebermos. Ela está intimamente ligada à morte e à distância. Essa foi a teoria que nos passaram, saudade é um sentimento de vazio por sentir falta de algo ou alguém.

Pelo dicionário, saudade é a lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir; pesar pela ausência de alguém que nos é querido; nostalgia.

Eu tenho isso junto comigo quase todos os dias.
Um sentimento que transborda e vai além do tempo, busca resquícios e detalhes minuciosos de tempos antigos. Vontade de voltar, reviver, refazer, rever, e como é difícil fazer esse prefixo “re” ser REtirado dali e passar a RE-existir tudo aquilo que um dia se foi.

A Iniciação, os amigos, as viagens, as primas, as vontades, as brigas, as felicidades, as campanhas, risadas, choros, dores, testemunhos vivos que deixaram marcas e que são cheios de adversidades entre si.

Creio, e ainda defenderei a tese de que nós vivemos em 2 mundos. Um é o factual e outro é real, o Factual é o mundo imaginário, o famoso “contos de fadas” que desde criança sonhamos, são aqueles momentos que nos fazem esquecer do mundo, dos problemas, das coisas ruins que nos aguardam. O real é o mundo em si, a tão inalterada rotina, cansaço, desgaste, ambição e vontades e desejos e excessos.

Quando passamos muito tempo como “fugitivos” do mundo real, vivendo num mundo imaginário (factual) nos acostumamos a não ver os problemas do mundo, e esquecer de onde viemos, o que fazemos e para onde vamos. Até que chega a hora de sair do conto de fadas e voltar para o mundo real. O mundo vai ao chão em fração de segundos, e um pesar imenso de nostalgia e saudade nos adentra o peito e nos choca.

Um medo imenso nos enche a alma, e uma vontade de não ir embora, parar no tempo, viver e reviver momentos chega e não quer sair mais.

Descobri no último fim de semana, durante uma pausa que fiz nos trabalhos Demolay, que o que eu estava sentindo, nada mais é do que “saudade do que não passou”.

Uma mistura de “ eu estou feliz aqui” com “amanha vou embora”, “mas aqui está tão bom”, “mas eu tenho que ir” e a conseqüência dessa reflexão é o “aproveitar mais ainda  cada segundo do conto de fadas” para que possamos assim voltar ao mundo real com a verdadeira sensação de “eu aproveitei tudo o que eu pude”.

A maior dor da saudade é pensar que não fizemos tudo aquilo que podíamos fazer. O arrependimento pelo não feito é dolorido demais quando analisado.

Se as pessoas tivessem mais saudade do que não passou, os momentos seriam melhores, mais aproveitados, mais desfrutados, as fotos seriam melhores, os sorrisos mais altos, as mãos mais caridosas, os pés mais descalços, os pulos mais infantis, as caras e bocas mais espontâneas e toda saudade não seria assim.

 

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberto ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

 

A saudade que O Reverente sente é a saudade do ontem, com gostinho de hoje. Era a aurora que agora já não é a saudade maior. A minha saudade é a saudade do meio dia…aquela que não tardou e que assim como a aurora, chegou, viveu e passou. Ah…se eu pudesse voltar…no meio dia da minha vida, creio que eu faria tudo igual, tudo de novo só que com gostinho de novo.

Chega de saudade

O Reverente falou muito bem em seu último post sobre a necessidade de mudança, dando uma ligeira abertura para comentarmos a respeito da saudade. Saudade do que passou, do que foi vivido, de como o passado era melhor. Enfim: seja qual for a saudade, a comparação sempre existe.

Às vezes eu tenho saudades do meu tempo de DeMolay ativo, que foi relativamente curto, mas que me rendeu boas histórias de vida. Foi nessa época que eu aprendi a falar em público, a perder boa parte da minha timidez e a me relacionar melhor com as pessoas. Também nessa época rolaram grandes conflitos internos e que, se não fosse pela Ordem, ouso dizer que não estaria aqui hoje – tanto pelo bem quanto pelo mal.

Tenho saudades das viagens descompromissadas, dos finais de semana “perdidos” em outras cidades e/ou estados, das incontáveis pessoas que passaram pela minha vida e que, na grande maioria das vezes, para nunca mais serem vistas. Mães, pais, irmãos e irmãs de meus irmãos, que tornaram-se meus parentes por um final de semana inteirinho sem direito de reclamar.

Tenho, também, muita saudade dos irmãos de longe, de perto, de todos os lados. Aqueles que, por um acaso de um congresso ou por você simplesmente vestir uma camiseta escrito “DeMolay” onde quer que seja, te consideram um amigo de longa data e assim permanecem por muitos e muitos anos. E a saudade dói ainda mais quando alguns desses amigos são separados da gente por uma briga besta de peixe grande. Mas a fraternidade, graças ao Pai Celestial, fala muito mais alto nessas horas e a amizade persiste e resiste a tudo e a todos.

De tudo o que aprendi, guardar boas lembranças de uma Ordem não tão mais presente em minha vida foi a única lição mal compreendida. Ainda falta essa saudade das coisas boas assolar mais gente e motivá-los a fazerem o bem, a serem pessoas verdadeiramente compromissadas com nossa organização. Pessoas que, muito mais que boas ações, podem oferecer bons exemplos.

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O Cortês queria profundamente que sua postagem de hoje fosse um pouco mais animada e otimista, mas não é esse espírito que ele enxerga atualmente na Ordem DeMolay.

Recordar é viver?

Costumam dizer que “quem vive de passdo é museu”. Relembrar velhas histórias, fatos do passado podem fazer-nos prisioneiros de situações que quase nunca voltam. É uma forma de alimentar expectativas de se ter um futuro tão bom ou até melhor do que o que foi vivido outrora, porém nos dá uma certa impotência de agir e arriscar o novo. Claro que a preservação da memória é importante, mas como forma de relembrar as coisas boas e aproveitar as coisas ruins para aprendermos a não errar novamente.

Num Capítulo, por exemplo: pensem no quanto as gestões seriam cada vez melhores se procurassem saber o que as administrações anteriores fizeram de errado e procurassem agir no foco desse erro. Ou ainda se cada um de nós cedêssemos um pouco de nossas experiências na Ordem aos que chegam. Assim como em várias outras situações, usar o passado para melhorar o futuro é uma maneira inteligente (e barata, diga-se de passagem) de tentar melhorar.

O grande problema é quando se utiliza do passado para justificar os erros do presente e as conseqüências do futuro. Tá que os três tempos estão intimamente ligados, mas nem sempre uma coisa tem a ver com a outra (vejam bem: eu falo aqui de passado REMOTO, não de um segundo atrás). É muito fácil falar que “minha gestão é uma bosta porque a gestão passada bagunçou o Capítulo”: não se vê tão facilmente um Mestre Conselheiro dizer algo do tipo “o que podemos fazer para reverter esta situação que a MINHA gestão causou?” e é esse excesso de dedos apontados para a culpa alheia que me preocupa.

Mais que usar as recordações para amenizar os problemas do cotidiano, é importante que saibamos construir nossa própria história. Pensem nisso! 😉

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E O Cortês continua achando que o passado era melhor, mas que ele não volta. De qualquer forma, luta para agir quase sempre com os mesmos sentimentos de antigamente.