Salto do Leitor III

Amigos, a pedido de um irmão, está aí um novo texto para o Salto do Leitor. É um ensaio sobre a evolução, indagando se ela acontece coletiva ou individualmente. É um texto de linguagem simples, fácil de entender, ao mesmo tempo que traz uma ampla reflexão sobre o significado desse tema.

A evolução é individual ou coletiva?

Por Pedro Henrique Braga Moreira em 11 de março de 2009

Começo este ensaio com uma pergunta: a evolução do ser humano é individual ou coletiva? Deparei-me com esta pergunta há alguns dias, quando alguns companheiros de estudos me a fizeram. Na hora, simplesmente respondi, mas não havia refletido muito bem. Depois de alguns dias, parei e pensei se minha resposta estava correta mesmo.

Pode parecer, a princípio, fácil responder à pergunta. Mesmo que se responda para um ou para outro lado, para quem responde, de seu ponto de vista inabalável, é a resposta correta. Aliás, é a única resposta correta.

Porém, devemos lembrar que muitas vezes somos enganados por essa coisa traiçoeira e enganadora a que damos o nome de idioma. O nosso idioma nos prega peças a todo o instante. Muitas palavras possuem mais que apenas um significado e isso dificulta as vezes a nossa compreensão das coisas que ouvimos ou lemos.

Então, para começar a pensar nessa pergunta, antes devemos pensar sobre as palavras chaves que a compõem: evolução, individual e coletiva.

Indo à primeira palavra, temos que responder: o que é evolução? Evolução é crescimento? É progresso? Para melhorar ainda mais nossa compreensão, é preciso que recorramos à etimologia. Como o próprio nome diz (etimos – verdade, logos – estudo), veremos qual a verdade a palavra evolução guarda, sem acrescentar outros significados temporários. Evolução vem do latim evlutiomnis que significa, literalmente, “desabrochar de todos” (evolutio – desabrochar, omni – todo, tudo, todos), “desabrochar de tudo” ou ainda “todo o desabrochar”.

Quem já teve algum contato com a Ordem Rosacruz pode entender, então, qual o verdadeiro significado da rosa no ponto de interseção da cruz. A cruz também pode ser etimologicamente estudada a fim de compreender o que o seu símbolo realmente representa e que, como está exposto, não é segredo algum. Por isso só não vê quem não quer, basta estudar um pouquinho para ver que as coisas são bem simples.

Retornando ao assunto, quanto à segunda palavra, sua etimologia nos mostra que ela provém do latim individuus que significa “sem divisão”, “indivisível” (in – não, sem, dividuus – divisão). Átomo e indivíduo, então, representam a mesma coisa, mas chamar outra pessoa de átomo pode parecer um pouco estranho. Muita gente, no Brasil, atribui a palavra “individual” a dualidade, devido ao sufixo. Porém, este sufixo só entrou na palavra quando passou para o português.

E para terminar esta primeira etapa, coletivo vem do latim collectiomnis (collectio – recolher, agregar, omni – todo, tudo, todos), ou seja, “recolher todos” ou “agregar todos”.

De cara, notamos que evolução é etimologicamente ligada ao coletivo. Será então a evolução é coletiva? Agora que já sabemos o significado verdadeiro de cada palavra, podemos responder, ou, pelo menos, debater sobre. Qualquer debate em que as palavras sejam interpretadas por cada um de um jeito diferente é inútil. É como discutir qual máquina é melhor para cortar grama, o barbeador ou a máquina datilográfica.

Então, o desabrochar de todos, depende da agregação de todos ou depende da falta de divisão? Fazendo a pergunta desta forma, também ficam nítidas as semelhanças entre indivíduo e coletivo, e não apenas para no sentido comumente empregado a ambas as palavras. Quando se agrega todos, torna-se um organismo, um ser, individual, que não possui divisões. Então o coletivo é individual e o individual é coletivo, já que coletivo é a agregação de todos, em um só.

Assim, fica fácil perceber que somos um coletivo, um grande amontoado indivisível. Quanto à evolução, fica mais fácil responder agora. Mas se apenas um no amontoado coletivo desabrocha, todo o amontoado também desabrocha ou apenas aquele?

Para responder a esta questão é preciso pensar que não existe um no amontoado. Isto é dividir o indivisível, é partir um todo. Então, em uma analogia, basta pensarmos: se hoje desabrochasse uma flor em um jardim, somente aquela flor desabrochou ou foi todo o jardim? Talvez, com esta analogia tenhamos a tendência de dizer que apenas aquela desabrochou. Por outro lado, em um exemplo parecido, se vários alunos de uma sala sempre tiram uma nota qualquer, que é a média global da classe, se um deles se esforçar um pouco mais e aumentar sua nota, a nota de toda a classe aumenta também. Foi a classe quem desabrochou ou foi aquele aluno?

Cada um responderá conforme sua visão sobre cada hipótese. Cada um terá uma visão diferente sobre os casos apresentados. Mas o mais interessante é que, de uma forma ou de outra, a pergunta já foi respondida quando analisamos a verdade, através da etimologia, das palavras que compõem a pergunta. Ora, o coletivo é indivisível e o indivíduo é um agregado. Então, o desabrochar, independentemente de visão ou caso, é tanto coletivo quanto individual.

Voltando ao exemplo dos alunos na classe, e para encerrar, aquele aluno que se sobressaiu elevando a nota global da classe, poderia contribuir para um aumento ainda maior desta nota. Basta que ele multiplique o conhecimento, distribua entre seus pares e todos terão a oportunidade de elevarem suas notas. Então devemos nós, que temos um maior esclarecimento sobre um assunto de nosso domínio, disseminar o conhecimento entre nossos próximos. Assim, a “nota” global da humanidade pode subir e talvez tornemo-nos uma espécie coletiva e individual.

Pedro Henrique, está de parabéns pelo texto.

Você, leitor, envie também seu texto para publicarmos aqui. Como fazer isso? Clica em “Os Pára-Quedistas” lá em cima e manda um e-mail pra gente!

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Salto do Leitor II

Bem meus irmãos, não venho honrando meu compromisso com o blog e hoje vou aproveitar para fazer o quadro Salto do Leitor, já que ainda estou com sérios problemas para escrever vou aproveitar um texto muito bom.

Este texto foi escrito pelo Senior DeMolay Ir. Augusto Ortolan, do Capítulo Ronan Borges Alves de Mirassol D’Oeste/MT.

Espero que gostem.

Morte

Morte… O que seria morte? Morte possui vários significados. Morte dos entes queridos… Morte de sonhos… Morte de amores… Morte de vontades… Morte de desejos.

A morte. O que seria a morte? A morte é quando deixamos para trás o que gostamos… Aquilo que um dia trouxe saudade. A morte é o que não mais vemos, o que não mais tocamos. Podemos até sentir falta, mas evitamos lembrar ou pensar. A morte é quando não mais vemos em cada esquina, dentro do carro, dentro do nosso quarto. É a única coisa ausente onipresente em nós mesmos.

A morte do prazer é quando este vira obrigação, ou quando é visto como um trabalho. A morte da vontade é quando não há estimulo, quando não há reconhecimento ou sentido… Sentido de fazer ou lutar por alguma coisa.

A morte é quando não há nem mais cinzas para renascer… Quando a própria natureza absorve o que restou. Como nunca tivesse existido.

A morte para um sênior DeMolay, não é quando brigam com ele. Não quando o perseguem. Não é quando ele falha… Ou quando seus sonhos são barrados pelos seus irmãos e pelos seus tios. A morte para um sênior DeMolay é simplesmente quando se perde a Vontade. Quando as reuniões se tornam “perca” ao invés de “ganho” de tempo. Quando ele vê mais brigas do que amizades sinceras. Quando ele vê intrigas ao invés de progresso. Quando vê mais interesses do que ajuda. Quando há mais orgulho e vaidades do que filantropias e confraternizações. Ele perde a Vontade quando param de olhar nos olhos… Quando param de tocar nos ombros. Perde a Vontade quando não mais se abraçam… Não mais dizem, “Eu te amo”.

A morte para um sênior DeMolay, quando sua foto na parede perde sentido de orgulho. Quando seus heróis viram seus inimigos. Quando os que o inspiravam coragem se tornam covardes. E que tudo que ele deslumbrava era apenas um sonho ou uma fachada utópica.

Um sênior DeMolay se vê contra a morte, quando ele não re-lê mais os rituais, quando para de ler os emails sobre a Ordem, quando não chega mais cedo na reunião, quando recusa a fazer cargos. A morte para um DeMolay é quando ele para de limpar a secretaria, pois ele descobre que ninguém sequer nota a limpeza ou sujeira dela. Quando ele percebe que organizar seguidamente as pastas dos membros nada lhe traz, além de noites mal dormidas.      Que se esforçar para fazer coisas menos nobres do que falar bem em cerimônias ou se apresentar bem perante o público, são esforços anônimos para seus próprios irmãos.

A morte para um sênior DeMolay é quando ele enxerga que o Poder fala mais alto que a Liderança, que a Arrogância vence a Bondade, que as Virtudes sempre se apagam no fim da reunião, mas nunca ficam acesas no coração de ninguém, e o Ritual se torna um livreto. Ah sim o Ritual! A Morte para um sênior DeMolay é quando as palavras se tornam apenas palavras… Os sinais são simbólicos… E o Juramento um protocolo da iniciação a ser seguido, e uma exigência para a Elevação.

A morte para um sênior DeMolay é ver os mais novos não saberem sobre o passado de sua Ordem, sua história… Quando seus olhos não mais brilham… Quando não há mais vergonha de estar aprendendo; não existe mais fascínio pelos paramentos.

 É quando os preceptores se tornam um cargo de iniciação e de pública (e não de eterno ensinamento nas reuniões). É quando a entrevista dos pais não tem pais; e a entrevista com os candidatos não possuem candidatos, pois nem mais a curiosidade os motiva a querer conhecer o capítulo.

A morte para um sênior DeMolay é quando ele prefere ficar mais calado; prefere sentar no canto; não ser chamado ou lembrado, e usar velho o terno do silêncio e da indiferença ao invés do colar vermelho da paixão latente.             É Quando a capa pesa… A cadeira fica desconfortável… A cerimônia de abertura entediante, e o Bem à Ordem interminável.

A morte para um sênior DeMolay não é a falta de reconhecimento. E sim a falta de Justiça. A falta de sinceridade dentre os irmãos. É a falta de magia. Não há mais magia pela Ordem DeMolay. Não há brilho nos olhos. Não há orgulho em ser DeMolay. Não há respeito. A morte para um sênior DeMolay é quando os maçons o têm como um conhecido… E os DeMolay como um colega… Ou até como desafeto.

A morte para um sênior DeMolay é ver que enfim todo seu esforço foi em vão. E será perdido. Como todas as atas de suas reuniões. É ver que não é por raiva, nem egoísmo, ou qualquer infantilidade da sua parte ele deixa a Ordem. Mas por que não quer mais. “Não tenho Vontade.” Isto, meus amigos é a Morte para um Sênior DeMolay. É quando ele não vê o DeMolay como Ordem, e sim como Grupo de Jovens.

A morte eterna assim é quando ele vê que por mesquinharia, por orgulho e vaidade de alguns a Ordem DeMolay perde dois dos seniores DeMolays mais dedicados, mais apaixonados e sonhadores que aquele capítulo já viu. E ninguém fez nada por isso.

Augusto foi MC de seu Capítulo e por diversas vezes se destacou em seu estado.

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O Companheiro promete voltar na próxima quarta-feira.

Salto do Leitor

Saudações, leitores do Caí de Pára-Quedas! Hoje vou lançar moda aqui no blog: a coluna Salto do Leitor, em que publicaremos esporadicamente textos de ninguém menos que vocês! Sim, somos democráticos e apreciamos a colaboração de vocês. Principalmente quando estas visam, assim como nós, contribuir para a formação de opinião – seja ela qual for.

Quem estréia nossa nova coluna é o DeMolay Bruno Luís da Costa Freitas, do Capítulo “Juventude Presente e Futuro de Campos do Jordão” nº 358, de Campos do Jordão-SP. Ele vai dar algumas dicas sobre um cargo bem especial… Confiram:

Encantar ouvidos e emocionar corações

Mesmo depois de quase seis anos da minha iniciação, ainda me lembro dos acordes da guitarra distorcida de Joe Satriani ecoando o tema  do filme Top Gun pelas paredes do templo. Essa música que já embalava meus sonhos de me tornar piloto de caça na infância me marcou bastante pois a ouviria novamente na iniciação ao grau DeMolay e na investidura ao Grau de Cavaleiro. Mas outras tantas fariam parte dessas memórias, Divano e Ameno do Era, Orinoco Flow e The Celts da Enya, 1492 – Conquest of Paradise e Antartica do Vangelis, e muitas mais.

Não sei se por coincidência ou providência divina, meu primeiro cargo no capítulo foi o de organista. Quase não acreditei quando recebi a nominata por e-mail e lá no final da lista, depois do sentinela, estava escrito: Organista – Bruno Luís da Costa Freitas. O irmão MC não poderia imaginar o “estrago” que estava cometendo na minha vida. Antes da primeira reunião eu já tinha 3 cds gravados, uma lista com os nomes, tempo e a indicação do momento em que cada música deveria ser usada, isso para não falar nas outras tantas que não couberam no CD e que começam a ocupar espaço no meu computador para chegarem nos 45GB de hoje.

Chegou o dia, primeira reunião, uma hora antes de começar lá estava eu de frente para um potente rádio que arrisco dizer até aquele dia nunca tinha atingido seu volume máximo. Começava ali a minha caminhada por entre CDs e caixas de som.

Falar sobre esse assunto sempre me deu muito prazer, pois a cada conversa sempre surgia o nome de uma música ou banda que eu não conhecia e que com certeza eu faria o possível para incorporá-la ao meu acervo. É complicado dizer qual a melhor música para cada momento ou se uma música é errada para outro, o que digo com certeza e que um organista tem o poder de levantar ou acabar com o clima de qualquer reunião. A sensibilidade do irmão que ocupa este cargo deve estar em sintonia com o que acontece no capítulo.

É claro que tem coisas que eu não colocaria nunca em reunião, mas isso é minha visão pessoal. Quem sabe em algum contexto o que eu acho “não-tocável” pode ser “top-hit” para outro organista.

Se eu pudesse dar um conselho aos organistas, seria “Ousem!”, mas não se esqueçam do bom senso. Certa vez me desafiaram a utilizar música eletrônica em reunião. Após muito tempo no e-mule encontrei uma versão de Now we are free do filme O Gladiador com batidas eletrônicas de fundo. Ficou muito legal em uma pública ao apagar as velas no término da reunião. Outra vez, quando era organista no convento,  o desafio foi o de usar apenas músicas de filmes famosos. Confesso que deu tudo certo a não ser pela música do Interlúdio das Nove Horas. Eu usei a versão de Nearer my God to Thee do filem Titanic, aquela música que a orquestra toca enquanto o navio afunda. O problema é que essa mesma música é utilizada pelas Filhas de Jó em suas reuniões, e como minha versão era instrumental, acabei provocando a FDJ que existia dentro de cada cavaleiro, e quando vi, ou melhor ouvi, tínhamos uns dois ou três cantando baixinho “…quanto mais perto de Deus…”.

Enfim meus irmãos, aos que se arriscam na frente dos rádios, Parabéns! Essa missão muitas vezes não recebe o devido reconhecimento, mas com certeza quem está lá sabe da responsabilidade que leva nas costas.

Bruno é Bi-Campeão Paulista do Torneio de Ritual Frank Marshall como Organista.

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O Cortês espera que todos tenham gostado do texto e que vários outros irmãos queiram participar da nova coluna deste blog! Como fazer isso? Clica em “Os Pára-Quedistas” lá em cima e manda um e-mail pra gente! 😉

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