O jeitinho da exploração

Como falei no último post, passei a última semana sendo guia turístico e, em alguns momentos, babá de um DeMolay americano, encantado com as belezas da cultura, da culinária e das mulheres brasileiras. A vinda dele para o Brasil parece que abriu um pouco mais meus horizontes sobre a Ordem DeMolay no mundo e também minha percepção sobre alguns aspectos, amplamente cultuados, do povo brasileiro. Cheguei a comentar que, finalmente, eu consegui uma noção crítica mais profunda de relação entre visitantes e visitados.

Todas as pessoas que perguntaram como eu conheci o nosso brother ficavam impressionadas como eu recebia, em minha casa, uma pessoa que eu nunca vi na vida e que quase não falava a minha língua (português, ok?). Quando você fala de DeMolays brasileiros sabemos que um telefonema pode confirmar ou não se ele é DeMolay, tem como você conhecer a família dele, essas coisas. Com um gringo isso dificilmente ia acontecer, pois eu não iria acertar falar com ninguém por telefone em outra língua (você não sabem o quanto leitura labial ajuda na comunicação rsrsrsrs). Os amigos brasileiros do brother e os amigos americanos que também vieram para o carnaval apresentavam o tempo inteiro sua surpresa ao saber como eu e ele nos conhecemos e como eu confiava nela a ponto de hospedá-lo em minha humilde residência (plágio das Havaianas, que ele usava o tempo inteiro). Pois é, a Ordem DeMolay pra mim definitivamente ultrapassou as barreiras nacionais e atingiu o mundo…

Mas, inicialmente, o brother não iria ficar hospedado em minha casa. Ele veio para o Brasil com uma reserva numa Pousada e tudo confirmado para estar próximo dos locais da festa. Eu admito que a Pousada não era necessariamente brasileira, mas seus administradores – mexicanos – estavam realizando uma prática que até então eu só ouvia falar: a exploração dos turistas. O valor acordado entre a Pousada e a agência de turismo era pelo menos três vezes diferente – e para mais. Concordo que devamos aproveitar o turismo para ampliar as fontes de renda e de recursos – especialmente quando essa fonte vem de um país desenvolvido. O que me deixou complementamente indignado foi que, a partir daquele momento, os visitantes já sabiam que no Brasil haveriam sempre dois preços: um para brasileiro e um para os estrangeiros. Além das divergências estratosféricas dos valores, quanto menos se conversassse melhor a sua chance de fazer um bom negócio – nunca dê indicações que você não é daqui…

O festejado jeitinho brasileiro tornou-se, para mim, uma forma a mais para explorar seja quem quer que fosse. Ao invés de tratar adequadamente os turistas, todos os vendedores, prestadores de serviço, etc., aproveitavam da “inocência” dos gringos e enviavam a faca. A conversa é sempre a mesma: “esse produto é X, mas como você foi educado eu faço 2 por X”. Faça-me uma garapa. Acho que é muito mais fácil cometer um assalto a mão armada do que utilizar esse tipo de estratégia para assaltar… mas isso é assunto pra outro post…

O Amoroso vai retornar a sua normal life amanhã. Tomara que ele ainda resista para não deixar na mão aqueles que ainda acreditam nele…

Somos internacionais mesmo

Tá que eu já tinha tido a experiência de visitar o DeMolay nos Estados Unidos. Eles são diferentes em muitas coisas, mas aquilo que nos mantém unidos, a ritualística, é a mesma em todo canto. Naquela oportunidade que tive, vi que os DeMolays americanos acabam enfrentando problemas semelhantes aos nossos, com excesso de concorrência como cinema, festas, etc. Nada muito diferente do que acontece conosco, né?

Essa semana, porém, estou vivenciando uma experiência um tanto quanto diferente. Hospedei um DeMolay americano em minha casa e, mesmo falando muito pouco inglês, estamos nos entendendo. Estou aproveitando pra questionar as atividades que eles desenvolvem e ele, como Sênior, como tem contribuído para a DeMolay lá.

Diante disso, só há um comentário a se fazer. A Ordem DeMolay é realmente mundial.

O Amoroso anda sem tempo pra postar. Vida de guia turístico não deixa tempo sobrando hahahahaha

Origens iguais, costumes diferentes, APENAS UM

Quando iniciamos na DeMolay um dos primeiros sites visitados, sem sombra de dúvidas, é o DeMolay International. Lembro-me o quanto fiquei impressionado ao ver aquela logo correndo atrás do mouse. Muito massa! Passados alguns bons anos, o site além de ter um novo visual está completamente atualizado, vale a pena conferir. A primeira visita foi repleta de perguntas. As iniciais eram quanto ao idioma, já que não entendia bulhunfas de inglês (como se hoje fosse diferente rsrsrs). As outras eram referentes a questões sobre ritualística, situação administrativa da ordem, simbologia, etc. E revirava, revirava e não achava nada de útil.

Uma boa fonte pra essas coisas era o site do Capítulo Ilhéus nº 58, de Ilhéus – BA (hoje SCODRFB com uma cisão interna que resultou no São Jorge dos Ilhéos – SCODB). Adorava visitar a página deles, pois, apesar de não ter novidades, era uma excelente fonte para achar cerimônias públicas e textos sobre simbologia. As Cerimônias Públicas não se resumiam à Flores e Luzes. Tinha Especial do Dia das Mães, Cerimônia do Pai Nosso, Casamento, etc. Diversidade tremenda. E os textos sobre simbologia não tinham a fonte, mas eu julgava sempre muito interessante. O tempo foi passando e eu fui me perguntando de onde vinha tudo aquilo, já que no DeMolay International eu não achava. E, buscando detalhes, achei algumas possíveis origens.

No final da década de 1980, início de 1990, quando o Irmão Monjardim era MCN (e até antes de sê-lo) escreveu uma série de monografias sobre Ordem DeMolay. Algumas delas, resultariam no clássico da literatura DeMolay “A Ordem DeMolay através dos tempos”. Outras ficaram esquecidas com os demossauros que, de vez em quando, ao aparecerem nos Capítulos, dizem que está tudo errado na ritualística. Mas, a maturidade acadêmica me ensinou que devemos sempre perguntar quem disse o que e de onde tirou. E as indagações permaneceram…

Tendo acesso a importantes publicações do International Supreme Council e do DeMolay International (duas coisas para alguns, uma para os outros), percebi que não eram fontes. Então de onde saiu a questão das cores das capas? E a simbologia da vestimenta alvi-negra? E o punhal dos Conventos? Nos EUA, pátria mãe do DeMolay (fato esse que, por mais que não gostemos, é inquestionável) eles não possuem padrão de capa nem de roupa. A Cavalaria lá ‘malmente’ (neologismo) existe e eles não usam punhal. Pois é. Depois de algum tempo, algumas crenças caíram por terra. Porém, acho importante um comentário. Será que a Ordem não mudou tanto quando chegou no Brasil que a pitada de brasilidade foi, além de interessante, muito importante para a construção da identidade DeMolay Brasil/ DeMolay Brasil (sem valoração de quem vem primeiro, por favor)? Temos duas Ordens DeMolays? Acredito que o que nos faz um (graças a Deus e sem brigas de Supremos) é o nosso ritual. E, este sim, caso seja cumprido a risca e de acordo com a tradução original nos faz apenas um. E como a pulserinha azul fala: “We are ONE – DeMolay”.

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