Um aninho…

Foi no Dia das Mães do ano passado, 2008, que O Amoroso estreou o Caí de paraquedas (na época, Caí de pára-quedas). Ou seja, no próximo dia 11 completaremos um ano de existência. Não nos cabe julgar se foi uma experiência boa ou útil. Cabe-nos apenas continuar a postar e esperar que os leitores indiquem por conta própria como estamos caminhando. Foi assim com O Virtuoso que apareceu no começo do blog e depois sumiu. É assim ainda hoje com o DiNaMo, um contribuidor sempre presente do querido CdPQ. Esse post começa com um agradecimento pelas inúmeras visitas e pelo grande número de comentários que recebemos nos últimos 365 dias. Comemoramos 1 ano de trabalho e de discussões sadias para o bem da Ordem DeMolay.

Comemorar um ano de existência não é mais tão raro no Brasil. O índice de mortalidade infantil, graças ao trabalho de alguns governantes, reduziu um bocado (mas ainda aterroriza muitas famílias da zona rural e, principalmente, do sertão nordestino).  Assim, nosso querido CdPQ junta-se ao já grande percentual de bebês que completam um ano de existência. Nesse meio tempo, algumas coisas mudaram. Aliás, muita coisa. Mas esse post não falará dessas mudanças. Falará de uma permanência, de uma continuidade. Algo que a Cerimônia das Flores já descrevia como algo que “jamais poderá ser desfeito“: o Amor Materno.

Pois é. Mais um Dia das Mães chegou e o que nós fizemos para nossas queridas progenitoras? Além de aumentarem os cabelos brancos, elas ficaram alguns momentos apreensivas com nosso insucesso ou o eminência de um eventual fracasso. Vibraram ardorosamente com as vitórias, mesmo que mínimas e tímidas. Foram aquilo que esperamos delas. Mas nós fomos, ao menos um pouco, o que elas esperam de nós?

Já vi DeMolay destratando mãe. Desobedecendo mãe. Esquecendo da mãe. E, todas as vezes, fiquei indignado. Já vi DeMolay mentindo, fugindo de suas responsabilidades e quando questionado diziam: “se minha mãe não briga por que você vai brigar?”. Acho que estou ficando velho e caduco, mas sempre ouvi que a primeira vela era o símbolo do Amor Filial, aquele amor sem nenhuma razão a não ser a de existir. Mas será que fazemos valer o amor incondicional de tantos pais e mães que nos colocaram no mundo ou que nos adotaram? Essa é a reflexão que tenho a deixar hoje, na véspera de completarmos 1 ano. 

Obrigado por esse um ano de existência. Obrigado a nossas mães por terem nos colocado no mundo. Obrigado ao Pai Celestial por ter-nos feitos jovens sortudos de termos pais amorosos e uma organização para nos guiar.

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Percepção…

Nesta última semana resolvi ir até a Biblioteca Pública, alugar um livro que não tivesse nenhum vínculo com Faculdade, prova ou outro tema que fosse DeMolay ou algo assim. Aluguei um que o título me chamou a atenção…

Passado alguns dias comecei a ler. Durante a leitura percebi que eu ficava analisando trechos do livro e que ele me mostrava os valores que cultivávamos dentro do Capítulo. O livro se passa na década de 1960, e as pessoas do livro (americanos) eram bastante rigorosos com a questão de moral, respeito e limites. Separei alguns trechos que me fizeram refletir muito sobre: O que eu tenho aprendido realmente dentro do meu Capítulo e que coloco em prática?

“ Eddie é um veterano de guerra de cabelos grisalhos, prisioneiro de um vida inexpressiva de mecânico de brinquedos de um parque de diversões à beira-mar. A vida de Eddie, mudou de uma juventude otimista a uma velhice amarga. Seus dias feitos de uma monótona rotina de trabalho, solidão e arrependimento…”

 

No livro percebi relatos instintivos de Amor Filial…

 

“ De seu quarto, mesmo com a porta fechada, Eddie sente o cheiro da carne grelhada que sua mãe está preparando, com pimentão verde e cebola, um cheiro forte que ele adora.

_Eddie-dieee! – ela grita da cozinha. – Onde está você? Está todo mundo aqui!

 Sua mãe sempre comemorava seu Aniversário, não deixava a data ser esquecida apesar de Eddie não gostar. Quando recebia uma má notícia fazia tudo mudar, ligava a caixinha de música onde uma orquestra tocava suingue, que a mãe começava a acompanhar, dançando sorridente. Ia até Eddie e o levantava com as mãos. Ele sempre ia como se estivesse indo para a forca. Mas a mãe continuava dançando e cantando com seu rosto redondo e bonito, de um lado pro outro…até que Eddie acertava o passo com ela…Eles giravam pela sala, e se soltavam e riam e rodopiavam…”

 

Quantas vezes deixamos nosso mau humor adentrar os nossos verdadeiros votos de Amor Filial. Mal sabia Eddie que sua mãe não duraria a Eternidade.

 

“Todos os pais causam danos aos filhos. É inevitável. A juventude é como um vidro novo, absorve as marcas de quem a manipula. Há pais que mancham, há pais que racham e há uns poucos que esmigalham a infância de seus filhos em pedacinhos rombudos, sem nenhuma possibilidade de conserto.

O primeiro dano causado pelo pai de Eddie, foi o descaso, quando era bebê, o pai raramento o segurava no colo, quando era criança pegava-o pelo braço com irritação muito mais freqüente de que com amor. A mãe proporcionava ternura, o pai queria apenas disciplina. Muitas foram as vezes em que levou surras. Mas mesmo assim adorava o pai, porque os filhos adoram seus pais, independente do mal que eles possam lhe causar. É assim que aprendem a devoção.

Apesar de tudo, Eddie passou toda a adolescência esperando a atenção do pai. Seu pai quem lhe ensinava a trabalhar. Depois da Guerra, Eddie estava abalado e com uma perna inutilizada, o pai alcoólatra, chegou determinada noite em casa e se deparou com ele dormindo no sofá.

_Levanta – gritou atropelando as palavras, levanta e vai arranjar um emprego.

Eddie despertou e o pai continuo gritando.

Levanta! LEVANTA E VAI ARRANJAR UM EMPREGO!

Eddie apoiou-se nos cotovelos e gritou.

_CHEGA! – olhando seu pai com raiva, cara a cara, sentindo o cheiro de álcool e cigarro.

O Velho inclinou-se para lhe dar um soco, mas Eddie instintivamente agarrou o braço do pai no meio do caminho. Era a primeira vez que Eddie se defendia. O pai nunca mais falou com o filho.

Seu pai morreu aos 56 anos de pneumonia, dentro de um hospital. Certa noite, seu pai permaneceu sozinho no quarto, levantou-se da cama aos trampos e barrancos, atravessou o quarto e arranjou forças para levantar a vidraça da janela. Chamou por sua esposa com o pouco de voz que lhe restava, chamou por Eddie. Neste momento seu coração estava botando pra fora toda a culpa e arrependimento. Antes de amanhecer ele estava morto. As enfermeiras o encontraram e o arrastaram de volta pra cama por medo de perderem o emprego. Não disseram uma só palavra sobre o ocorrido.

Eddieé necessário perdoá-lo. As pessoas erram, mas o arrependimento existe, e o perdão também.”

 

Quantas vezes deixamos de perdoar?

 

O Reverente tem refletido demais…e isso é bom. A gente revê conceitos, tranquiliza e aconchega o cotidiano, aprendendo e vendo tudo aquilo que verdadeiramente colocamos em prática.

Aproximando da Face Divina…

Pensando na lógica em ser DeMolay e nos famosos ditos que um DeMolay deve honrar seus pais, todas as mulheres, tudo que da Pátria vem, assim também Deus como devido, penso então até onde conseguimos honrar todos estes compromissos em nosso dia a dia. Um DeMolay por si só, já tem todas as suas obrigações, muitos trabalham, estudam tem seus afazeres assi então paremos para reflexão: Conseguimos, conciliar tudo isso e ainda assim pensar em nossos deveres como DeMolays que somos?

Nas brigas e discussões em nossas casas, conseguimos nos recordar cada vez que fizemos uma luz considerada Amor Filial se acender e ser exaltada como 1ª virtude?

Nas nossas dificuldades por muitas vezes invocamos Deus, pedindo ajuda e consolo, será que em nossas felicidades também o procuramos para agradecer o quão bom tem sido?

Na correria dentro de nosso trabalho, lutando contra o relógio para cumprir tudo o que precisamos, será que ainda nos recordamos da Educação, e das tão antigas “palavrinhas mágicas” como Bom Dia, Por favor, obrigado!  Será?

Em nossas vidas será que somos exemplos de companheiros assíduos com nossos compromissos junto de amigos que sempre necessitam de nossas orientações e conselhos? Ou será que temos deixado de lado aqueles que nos apoiaram um dia?

Em nossa vida profana, seríamos exemplos corretos de fidelidade?

Seria talvez bobagem desse humilde Reverente, cobrar tudo isso, e porque não um pouco de Pureza daqueles que considera “irmãos por escolha”, e que também se comprometeram a seguir as virtudes retamente?

Quanto ao Patriotismo, agora frente às Eleições, e Campanhas, músicas e santinhos, muitas vezes cômicos, creio que é o mínimo como Patriotas que somos, ter senso e tentar votar naqueles que se dedicam à causa justa de um governo do povo, pelo povo e para o povo…Não é isso que falava aquela Cerimônia repetidas tantas vezes dentro de nossos Capítulos? Àqueles que tem um Título de Eleitor, que pensem e votem não por interesse próprio, creio que está na hora de pensarmos mais no coletivo, do que em nós mesmos.

É tão bonito dias de reunião, todos lá fazendo uma ritualística primorosa, falando cerimônias decoradas, pessoas antigas em nossa Ordem nos relembrando grandes preceitos e princípios, com uma oratória bem construída. Logo questiono, até onde tudo que falamos é realmente seguido por nós mesmos?

Depois de tudo isso apenas refletiremos, e continuemos ao menos na tentativa de sermos verdadeiros DeMolays. Estamos buscando não?!

 

O Reverente não pede que se façam santos, pede apenas que tentem colocar nossos princípios nas ações cotidianas. Até porque ele sabe que asas pesam e auréolas incomodam. O Divino não é para humanos, mas podemos tentar nos aproximar, não?