Mitos também morrem

Quase 15 dias após o falecimento do rei do pop, Michael Jackson, todas as pessoas que convivo já dizem estar sem paciência para ouvir Thriller ou qualquer outro hit do ídolo semi-branco/ semi-negro (a falta de uma adjetivo melhor levou a essa tosca escolha). Ícone para música, Jackson ultrapassou, com todas as suas esquisitices, o limite de pessoa comum e tornou-se, sem sombra de dúvidas, um mito que ainda vivia, nas mentes de alguns milhares de fãs. Mas, que diabos Michael Jackson teria com um blog como o CdPQ?

Talvez o declínio dele mostre-nos o como é complicado lidar com nós mesmos. Comentei com um amigo que preferia vê-lo como uma criança que não pode ser criança do que como o monstro esdrúxulo que se tornou quando adulto. Essa mitificação pela qual ele passou, apenas ressaltou um sentimento humano que tanto fingimos não existir: a soberba. Cheias de si, cada pessoa deixa de ser apenas uma pessoa e passa a se sentir importante demais para quem ela é. Assim eu vejo muitas figuras que já passaram pelas fileiras da Ordem DeMolay.

Já falei sobre o percentual de iniciados que permanecem com ligações com a Ordem após cinco anos, né? Desses que ficam, muitos tem um ligeiro problema que é acharem que são mitos, pessoas acima do bem e do mal, que não devem satisfação ao mundo alheio e que o que eles falam são verdade absolutas. Eu tenho realmente muito medo se chegar a essa fase tão crítica na minha vida DeMolay, porém quase todos que conheço passaram por graus de mitificações que é preciso muita força de vontade pra não deixar subir a cabeça.

“Eu tenho 10 anos de Ordem DeMolay e vocês tem que ouvir a vós da experiência”. Quantos de vocês já ouviram isso? Ou “fulano de tal fez tal coisa na época do Capítulo. O cara é o cara”. Tenho até medo quando alguns ouvem falar isso. A soberba fica tão transparente que qualquer um avista nos olhos do cabra. Nessa horas, cabe lembrar-lhe de que, assim como Michael Jackson, os mitos morrem. E, a não ser que você seja um celebrado rei de alguma coisa, provavelmente vai acabar voltando pro lodo do esquecimento…

A prioridade do tempo…

Mais uma vez – e acho que não é a segunda -, O Amoroso vos escreve para falar que está sem tempo, assim como outros para-quedistas que aqui estão ou que aqui estiveram. Quando o final do semestre se aproxima, os estudantes universitários ficam assoberbados de trabalhos, tarefas e provas. Os trabalhadores, por menos que possam parecer, se esforçam para provar, a cada seis meses em média, que não estão ali de brincadeira e acabam mostrando mais serviço – existe literatura sobre esse ápice de produtividade nos meses de junho e dezembro (que antecedem as “férias”)?. Mas eis que surge uma afirmação que já ouvi inúmeras vezes de um DeMolay que já há algum tempo se afastou das atividades capitulares: TEMPO É UMA QUESTÃO DE PRIORIDADES. Realmente, quando queremos achar tempo, conseguimos facilmente. O problema é quando não queremos…

Nascemos como sete para-quedistas. Hoje, malmente postam três. Temos uma vaga para O Cortês que se abriu há tempos e não houve preenchimento. Essa semana, tivemos a infeliz notícia de que O Fiel também estava a abandonar o barco. Me perguntei porquê eu ainda continuo, acreditando numa ideia que considerei boa em abril de 2008 e que até agora permaneço a vendê-la. Será que é porquê eu sou anormal? Talvez sim. Talvez não.

Só me pergunto se vale a pena colocar algumas prioridades a frente de outras na divisão do meu escasso e mal aproveitado tempo. Quase ninguém tem tempo para o gostaríamos. Mas será que ninguém tem tempo o que outras pessoas necessitam? Um pouco de dedicação e boa vontade levaria o mundo longe. Mas é uma prioridade em nossas vidas sermos bons? Ou podemos nos contentar com a mediocridade do dia-a-dia e esquecer que, entre tantas outras prioridades, ajudar o próximo – ou ao menos ouvi-lo – pode fazer toda a diferença para ele? Tempo é uma questão de prioridades sim. Porém é também uma questão de escolha…

DeMolay em revista

Na minha época de DeMolay ativo eu lembro quantas vezes eu entrava na internet procurando alguma novidade, alguma notícia ou algum tópico novo sobre a Ordem DeMolay. Já nem lembro mais como foi que conheci os Escritos Esparsos sobre DeMolay, um blog de autoria de dois Irmãos do Rio. Era um bom meio de ler sobre o passado, o presente e refletir sobre o futuro dessa organização que tanto queria bem.

Depois dele, tivemos alguns outros blogs e sites que, constantemente, entravam e saíam da rede, permitindo que nós, humildes DeMolays, sem acesso a comunicações oficiais, tivéssemos acesso a histórias e vivências dos mais diversos e diferente lugares do Brasil. Foi assim com a era ee2 (a que mais durou), teve o ordemdemolay.zip.net (bem humorado e o primeiro de posts anônimos) e um último que já não recordo o nome e sobreviveu até o nascimento do CdPQ, editado por um Irmão de Santa Catarina.

Depois do CdPQ ainda tivemos um outro, que viveu um ou dois meses – em que cada autor era um grau da Ordem DeMolay -, e que eu não sei no que deu. Há algumas semanas, tive a feliz notícia de que nascia o demolayentrevista.blogspot.com, mais um que entra pra história curta e interessante da Ordem na web – acho que até já fiz um outro post sobre isso.

Sabe qual a melhor parte disso? É que temos as mais diversas fontes de leitura, que algumas vezes são interessantes, outras inúteis, mas que levam a constantes reflexões. O que é ser DeMolay? Como se é DeMolay nos mais diversos cantos e rincões da Ordem no país? Talvez em breve tenhamos uma revista DeMolay, editada com o objetivo único e exclusive de se divulgar o de bom – ou de ruim em alguns casos – que os Capítulos, Conventos/ Priorados, Cortes, etc. tem feito pelo imenso brasilzão. É torcer e esperar!

Homens por trás das telas

Acho que já até postei sobre esse assunto, mas é que essa semana ele voltou a tona com força na minha reduzida convivência com a Ordem DeMolay. Mais uma vez, vi, na internet, um monte de menino falando coisas que não faziam tanto sentido apenas pelo prazer de falar besteira.

Um tempo atrás fui acusado indiretamente de desviar recursos das Instituições DeMolays as quais pertenci/ pertenço. Dias depois, encontrei com esse homem da internet que, na minha frente, baixou a front e simplesmente fingiu que nada tivesse acontecido. Eu fiquei impressionado. Na internet, todo mundo é homem. Fora dela, são todos moleques?

Tou ficando velho pra essas coisas. A legislação brasileira para crimes na internet ainda é falha. Meu sonho de consumo era poder, sem amarras legais, sem amarras de fraternidade, colocar esses pseudo-homens nos seus lugares. Pra tentar moralizar a coisa. Falamos tanto dos políticos que falam uma coisa e fazem outra e, dentro da Ordem DeMolay que se apresenta como uma organização séria, vemos muito disso. Somos apenas mais dos mesmos? Se for, estou decepcionado.

Quantos de nós não leu/ ouviu um monte de asneira sobre alguém conhecido e teve que ficar calado pra não procurar confusão? Falar mal de um deles na presença de um não iniciado deveria valer para aqueles mal iniciados também. Pra eles calarem a boca e as moscas não entrarem…

Semana que vem tento um post menos indignado…

Um aninho…

Foi no Dia das Mães do ano passado, 2008, que O Amoroso estreou o Caí de paraquedas (na época, Caí de pára-quedas). Ou seja, no próximo dia 11 completaremos um ano de existência. Não nos cabe julgar se foi uma experiência boa ou útil. Cabe-nos apenas continuar a postar e esperar que os leitores indiquem por conta própria como estamos caminhando. Foi assim com O Virtuoso que apareceu no começo do blog e depois sumiu. É assim ainda hoje com o DiNaMo, um contribuidor sempre presente do querido CdPQ. Esse post começa com um agradecimento pelas inúmeras visitas e pelo grande número de comentários que recebemos nos últimos 365 dias. Comemoramos 1 ano de trabalho e de discussões sadias para o bem da Ordem DeMolay.

Comemorar um ano de existência não é mais tão raro no Brasil. O índice de mortalidade infantil, graças ao trabalho de alguns governantes, reduziu um bocado (mas ainda aterroriza muitas famílias da zona rural e, principalmente, do sertão nordestino).  Assim, nosso querido CdPQ junta-se ao já grande percentual de bebês que completam um ano de existência. Nesse meio tempo, algumas coisas mudaram. Aliás, muita coisa. Mas esse post não falará dessas mudanças. Falará de uma permanência, de uma continuidade. Algo que a Cerimônia das Flores já descrevia como algo que “jamais poderá ser desfeito“: o Amor Materno.

Pois é. Mais um Dia das Mães chegou e o que nós fizemos para nossas queridas progenitoras? Além de aumentarem os cabelos brancos, elas ficaram alguns momentos apreensivas com nosso insucesso ou o eminência de um eventual fracasso. Vibraram ardorosamente com as vitórias, mesmo que mínimas e tímidas. Foram aquilo que esperamos delas. Mas nós fomos, ao menos um pouco, o que elas esperam de nós?

Já vi DeMolay destratando mãe. Desobedecendo mãe. Esquecendo da mãe. E, todas as vezes, fiquei indignado. Já vi DeMolay mentindo, fugindo de suas responsabilidades e quando questionado diziam: “se minha mãe não briga por que você vai brigar?”. Acho que estou ficando velho e caduco, mas sempre ouvi que a primeira vela era o símbolo do Amor Filial, aquele amor sem nenhuma razão a não ser a de existir. Mas será que fazemos valer o amor incondicional de tantos pais e mães que nos colocaram no mundo ou que nos adotaram? Essa é a reflexão que tenho a deixar hoje, na véspera de completarmos 1 ano. 

Obrigado por esse um ano de existência. Obrigado a nossas mães por terem nos colocado no mundo. Obrigado ao Pai Celestial por ter-nos feitos jovens sortudos de termos pais amorosos e uma organização para nos guiar.

Dai a César apenas o que é de César

Frase comum e patética para o título de um post, mesmo para as épocas menos inspiradoras. Mas ele surge a partir de uma conversa rápida, porém proveitosa entre dois desconhecidos que provavelmente se reencontrarão uma ou mais vezes e que falavam sobre os anseios e as esperanças para a juventude.

Um conhecido meu costumava afirmar que a Ordem DeMolay só iria pra frente se os Maçons parassem de agir como uma doença degenerativa, corrompendo os jovens garotos – para ele, um exercício pleno de hipocrisia e excesso de vaidade. E a breve discussão foi sobre essa condição da participação da Maçonaria na Ordem DeMolay. Ambos pareciam ainda repletos de boas expectativas para os garotos entre 12 e 21 anos que a Instituição diz formar como líderes, porém os dois também concordavam um pouco com esse conhecido meu.

Enquanto para o ilustre desconhecido a Ordem DeMolay tinha que as poucos se desvincular da Maçonaria – não no sentido de independência, mas no sentido de autonomia -, O Amoroso afirmava copiosamente que tanto independência quanto autonomia deveriam ser limitadas, não plenas para ser mais claro. O breve embate de idéias gerou duas conclusões que podem não ser dogmáticas, porém resumem bem o caos instaurado na cabeça dos meninos-marionetes:

1 – Maçonaria e Ordem DeMolay foram, são e sempre serão organizações diferentes. Mas isso não que dizer que devem caminhar separadas. A Ordem DeMolay, mesmo para os mais otimistas e sonhadores, não existe sem a Maçonaria. E, atrevo-me a dizer que, sem a Ordem DeMolay, a Maçonaria irá definhar ainda mais (salvo algumas exceções, óbvio. Não adianta tentar dissociar as Instituições, pois ambas agora estão imbricadas e até mesmo unidas a ponto de não perceberem as fronteiras entre uma e outra;

2 – O segundo problema resulta do primeiro. Não sabendo discernir os limites entre Maçonaria e Ordem DeMolay, Maçons sentem-se donos dos meninos, um tanto quanto senhores feudais que consideram os jovens seus vassalos. Isso já se torna um enorme prejuízo para Távolas, Capítulos, Conventos – ou Priorados -, Cortes, etc. Porém, consideramos que um problema ainda maior é quanto os DeMolays sentem-se independentes a ponto de rechaçarem a participação dos Maçons na Organização. Nessa relação – assim como entre pai e filho aparentemente deve ser -, a DeMolay não deve obediência irrestrita e inquestionável à Maçonaria. Mas também a Maçonaria não deve tentar mandar e desmandar no andamento da DeMolay. As obrigações concernentes à DeMolay que caibam a ela. As obrigações que caibam a Maçonaria, que a ela seja aderente.

Não adianta tapar o sol com peneiras: uma hora a luz do sol irá passar. Temos problemas DeMolays que envolvem demasiadamente a Maçonaria? Temos! Temos problemas Maçônicos que envolvem demasiadamente a DeMolay? Temos! O que fazer?

DAR A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR

Cada um pega seu banquinho e, de mansinho, toma seu rumo no mundo, respeitando-se, porém sem exagerar na dose de intervenções. DeMolay não deve tomar partido em briga de Maçom. E Maçom não deve tomar partido de DeMolay a não ser que seja cabível e necessário a sua função como conselheiro.

O Amoroso ficou um pouco mais esperançoso quando viu que existem Maçons que conseguem entender a filosofia DeMolay, sem precisar interferir nela. E também ficou triste ao saber que até mesmo esses Maçons acabam um pouco desiludidos com a Ordem DeMolay…

Palavras ao vento

Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras, momento

Palavras, palavras
Palavras, palavras
Palavras ao vento…

Trecho de “Palavras ao vento”
Letra: Marisa Monte e Moraes Moreira

Foi uma semana cheia de belas palavras. Nunca vi tantos discursos bonitos e tão cheios de significados na Ordem DeMolay quanto essa última. Li, reli, li mais de uma vez as circulares e os e-mails. Até um vídeozinho, um bom uso das ferramentas diga-se de passagem, eu vi. Fora a enorme quantidade de vezes que já vivi ou vivenciei as experiências de que das palavras do homens não podemos esperar muita seriedade…

Esse é o problema. Outra vez lembrei de uma frase que ouvi certa feita de que “cada vez que conheço mais os homens, mais gosto do meu cachorro”. Tem uma coisa que eu aprendi na Ordem DeMolay é que nossas cerimônias não fórmulas vazias. Nunca mais vou esquecer disso. O meu porém é que as falas dos homens são vazias.

Quando o CdPQ nasceu, cerca de um ano atrás, os Sete fundadores acordaram que nunca tratariam de brigas ou discussões entre Supremos. Como éramos um blog sem vínculos com nenhum dos dois (SCODB e SCODRFB), inclusive com membros de ambos e que se tratavam como Irmãos. Essa semana, conversando com um outro fundador que pertence ao Supremo diferente do meu, brincamos muito pelo excesso de falas bonitas. E pelo grande número de comentários empolgados dos mais jovens frente ao processo que poderá culminar com a unificação das instituições. Falamos até do medo do OBA-OBA que enche de esperança aqueles que da missa não sabem um terço…

Talvez seja a idade ou a experiência. Talvez sejam espectativas erradas ou muito erradas até. Porém, temos que tomar muito cuidado com aquilo que dizemos, especialmente quando tratamos do futuro de milhares jovens iguais a nós que poderiam ter a oportunidade de participar do maior exército de jovens fraternos do mundo. Se damos comida demais ao faminto, ele passa mal. Se damos água demais para os sedentos, eles passam mal. Se damos esperança demais ao jovens, eles morrerão frustados.

Tomara que as palavras ditas não sejam palavras ao vento…