Alguém deu um grito lá na bêra do Ipiranga

Esse é o significado simplificado e popular do famoso verso “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante”.

O Hino Nacional está voltado à moda. Depois de um empurrãozinho dado pela Vanusa, todo mundo começou a falar do Hino. Uns reclamando que o povo não sabem cantar, outros reclamam que não dão o devido valor, outros ainda falam que ele é vilipendiado pela nação que o representa e assim vai.

O negócio é que todo mundo aqui, creio eu, quando estava na primeira parte do Ensino Fundamental, era colocado em fila para cantar o Hino antes da aula. Depois, a professora de Estudos Sociais (ou de Geografia e História), dava uma aula explicando o Hino. Afinal, nosso Hino é cheio de inversões e nenhum menino de quarta série tem noção do que está cantando.

Também estão falando de uma tal introdução do Hino Nacional. Tem até uma senhora muito simpática cantando ela. A primeira vez que eu ouvi falar dessa introdução, foi quando eu li o livro Meninos sem Pátria, do Luiz Puntel. Na famosa Coleção Vagalume. E olha que já faz tempo. E o livro também é bem antiguinho. Só agora que o povo foi descobrir dessa tal “introdução”.

Na verdade, ela não existe. Uma introdução musical, não tem letra. Afinal, se tivesse, não seria introdução. Aqueles versinhos, que se popularizaram na década de 1950, 60 e 70, são de autoria de um tal Dr Marcondes de Andrade. Meio que o cara não tinha nada pra fazer e resolveu “inovar”. Esse tipo de inovação também ocorre na Ordem DeMolay. O cara em vez de continuar o bom trabalho do outro, cria umas “coisinhas novas”, para ser lembrado. E assim vai.

Nosso Hino foi escolhido por meio de concurso. A melodia foi composta pelo Franciso Manuel da Silva, num balcão de loja. E ela já embalou diversos Hinos que precederam o atual. Depois de algum tempo, proclamada a República, decidiu-se pela criação de um novo Hino, que não fizesse tanta exaltação à monarquia. No concurso, haviam quatro melodias para serem escolhidas (a de Franciso Manuel era uma delas). A letra era a mesma para todos. Apesar dos figurões da República escolherem a melodia de Leopoldo Miguez (um dos concorrentes), o povo aclamava a de Francisco Manuel. Então, foi-se feita a voz do povo.

Quando para escolher da letra, o esquema foi o mesmo; outro concurso. Só que esse valia dinheiro. Dois contos de réis. O vencedor foi o ocupante da cadeira nº 17 da Academia Brasileira de Letras, o escritor Joaquim Osório Duque-Estrada.

Decreto vai e Decreto vem, temos aí nosso Hino Nacional. Saber cantá-lo apenas uma pequena parcela da população sabe. E não é porque ele tem letra difícil, ou construções gramaticais complexas. É porque é essa a situação educacional de nosso país. Poucos com acesso à informação de qualidade. Aprendemos o Hino nos primeiros anos de escola. O ideal seria uma “revisão na matéria”, lá pelo meio do Ensino Médio.

Esse assunto de Hino Nacional vem à tona de tempos em tempos. É só surgir uma versão “popular” da canção, divulgada em grande escala, que já começam a pulular e-mails revoltosos em nossas caixas de entrada.

Devemos lembrar a todos, que saber cantar o Hino Nacional não é ser patriota. É ter civismo. Coisas completamentes diferentes. Mas que se misturam. O sentimento de patriotismo está ligado, principalmente, à terra aonde se nasce. Não dependendo assim da existência de um Hino ou símbolo para representar esse sentimento.

O Patriota achou interessante a senhora cantando a suposta introdução do Hino Nacional e lembrou-se quando leu Meninos sem Pátria. É uma leitura altamente recomendada. O Patriota lembra ainda, que primeiro se sonha, depois de ama. Assim, fica mais fácil de distinguir as duas partes do hino e não cantarmos “amonho intenso” ou “samor eterno”.

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Ultimamente a onda de Patriotismo aqui no CdPQ só tem aumentado. O que me deixa muito, mas muito feliz. Nosso Irmão Puro, nos presenteou com um texto simplesmente divino!

Quem ainda não leu, faça o favor de clicar aqui e ler.

Ele economizou minha postagem! Hehe!

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Se você estivesse cantando o Hino Nacional e derrepente aviões começassem a jogar bombas sobre o local que você estivesse, o que você faria? Correria? Há muito tempo, brasileiros permaneceram de pé, cantando o Hino, mesmo com um bombardeio acontecendo.

Clica aqui e veja o vídeo.

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Hoje não tenho muito o que falar mesmo. A postagem do Irmão Puro foi incrível. Vale por pelo menos meia dúzia (ou uma dúzia completa) de postagens minhas. Sugiro apenas que leiam o texto que ele colocou.

O Patriota agradece ao Pai Celestial todos os dias, por ter Irmãos tão conscientes e inteligentes. É assim que se faz a diferença tanto no Brasil, quanto na Ordem.

Civismo

DeMolay é um bicho estranho. Sabe cantar Hino Nacional, mas não faz idéia do significado. Canta o Hino à Bandeira mais para na primeira estrofe. Se o hino continuar rolando, olha para o lado, para o outro e começa a mexer a boca, repetindo a última palavra. Não sabe o dia da Bandeira, quem foi Tiradentes ou porque se desfila no 7 de setembro e não se desfila no dia 15 de novembro.

Afinal, quase toda a população brasileira é assim. Mas eu sou daqueles: DeMolay é diferente!

Existe uma cultura de civismo. Antigamente, havia nas escolas uma matéria chamada Moral e Cívica, aonde ensinava-se esse tipo de coisa. Com o tempo ela foi sendo largada e na Reforma Educional Brasileira, ela ficou restrita à primeira fase do Ensino Fundamental. Ou seja: Para Colorir [Desenho da Bandeira] Como conseqüência, hoje são poucas as pessoas que possuem um conhecimento relacionado a esse tipo de coisa. O Civismo é muito importante, porque é uma forma menos abstrata de se demonstrar uma atitude patriótica.

Os Capítulos deveriam manter aulas de Civismo. Como também de diferentes assuntos relacionados à construção do lider cidadão.

O dia-a-dia do Capítulo é muito administrativo. Pensa-se em resultados apenas para a Ordem. Muito pouco se pensa na sociedade. Não adianta termos DeMolays líderes em nossa Ordem, se eles não são líderes no meio em que vivem. As vezes coloca-se as virtudes (e a gama de coisas que cada uma gera) de lado. Não adianta o DeMolay saber quem é o Mestre Conselheiro Nacional ou como fazer seu Capítulo crescer em número de membros se ele não sabe como atuar demolysticamente (adorei!) na sociedade.

Continuando sobre o civismo; acho importante o DeMolay conhecer os símbolos da pátria. A história de seu país, quem lutou e quem luta para o Brasil hoje ser uma nação soberana, o porque de nossos problemas. É como eu disse em outra postagem, deve-se buscar um conhecimento completo. DeMolay só sabe cantar Hino Nacional e primeira estrofe de Hino à Bandeira e já se acha o máximo por isso.

Creio que o ensino do Civismo pode ser resgatado dentro de Capítulos da Ordem DeMolay ou em Conventos da Ordem da Cavalaria. Uma das coisas legais de ser DeMolay, é ser patriota, por completo.

O Patriota é um DeMolay que gosta de ver seus Irmãos cantando o Hino Nacional bem alto e sabendo bem o que estão cantando.