Já se passou a Aurora…

As pessoas mudam de verdade, ou são as coisas ao seu redor que mudam e não se adéquam mais a elas?

Este final de semana, devido a datas comemorativas, congressos e uma visita a meu Capítulo me fez estar em um período que considero ‘nostálgico’, porém necessário. É muito perceptível as mudanças ocorridas, o famoso ‘ver que o tempo passou’ e que o que era, hoje não é mais. Lembrei-me de festas antigas na loja onde eu participava como DeMolay. Lembrei-me de pessoas que sempre foram muito especiais pra mim e que hoje mal se lembram que são DeMolays ou de outras instituições paralelas. Pessoas que hoje, já não participam das nossas atividades, e que já foram muito importantes pra existência de tudo aquilo.

Pensar que as brincadeiras passaram, que as risadas findaram, que muitos já se despediram e que novos adentraram. Pensar que não conseguiremos mais nos reunir, ou voltar no tempo onde tudo era diferente. Sim, eu acho que estou tendo uma crise tardia de “na minha época…”

É triste perceber que as pessoas deixam de lado aquilo que mais gostavam. Mesmo sabendo que elas precisam seguir o caminho delas. A palavra do fim de semana (por incrível que pareça) é ‘Saudade’ (entenderam né?!) Acho que foi obra divina para que me sensibilizasse mais com tudo que estava sendo notado.

Aproveitar cada tempo como se fosse o último, pode ser dica antiga ou já inutilizada, mas é o que sempre deveria acontecer. Pena que a gente só se lembra disso, nos momentos de saudade e lástima.

O Reverente reza a Deus que nos abençoe, que faça com que cada um que passou por nossas fileiras nunca se esqueça dos bons momentos que viveram, por mais que tenham sofrido também. “A saudade é uma coisa estranha que adentra o peito, se acomoda e não sai mais. Não há remédio pra ela e, assim como todas as dores ela sofre o efeito montanha russa, tem dias que dói mais e noutros nem dói…”

Mania de “eu”

Engraçado notar as diferenças entre uns e outros. E mais engraçado que isso é perceber que ninguém consegue ver que essas diferenças são boas, tendo em vista que cada um deve ser bom naquilo que melhor sabe fazer. Os conceitos básicos da diferença entre humanos se finda com uma conclusão precipitada criada por eles próprios, o famoso: “Eu sou o melhor”. Vivemos e crescemos crendo em: eu devo ser o melhor na escola, no trabalho, na rua, no pique-esconde, no concurso, na faculdade, no casamento, no futebol, na política, na religião. E claro que, quando se pergunta: Você aceita o outro ser do jeito que ele é? A resposta logo vem de forma convincente: Claro! Todos temos liberdade em querer ser o que melhor entender.

Sinceramente? Contos de fadas já não me convencem, vivemos taxando e julgando as coisas alheias como as piores, a religião do outro é pior, a música do outro é pior, o estilo do outro é pior, a roupa do outro é pior, a oratória do outro é pior e, quando entra candidatura e eleição então (Segura na mão de Deus e vai…).

Eu sou O melhor, eu sou melhor que ele, eu falo melhor, eu tenho  melhor postura, meus amigos são muito melhores e tudo que é relativo ou ligado a mim é muito melhor. O problema é quando percebemos que alguém é melhor que nós. Eis então que surge outro probleminha, que alguns intitulam como inveja, a vontade sublime de se mostrar melhor de alguma forma. Caso não conseguimos convencer as outras pessoas que somos melhores, passamos para a etapa n° 2, tentar mostrar a inferioridade do outro. Seja diminuindo-o ou ressaltando aquilo em que ele não é tão bom. Por que não conseguimos lidar com a idéia de que o outro pode ter espaço no Universo?

O Reverente anda revoltado com alguns que insistem em querer ser superiores, quando na verdade deveria cada um permanecer no seu quadrado enquanto o mundo gira no espaço infinito. E viva as diferenças, até porque o que seria do planeta Terra sem elas?

Mudança de rota.

Interessante perceber que muitas vezes em nossas vidas nos falta interesse em querer continuar. Um desânimo adentra nossas perspectivas e nos faz repensar em tudo que temos e estamos fazendo. Perguntas frequentes como: “Por que eu faço isso?”; “Qual o meu objetivo?”; “Eu preciso ou tenho mesmo que fazer isso ou aquilo?”. E aí você passa a usar uma peneira seletiva do que é realmente necessário e o que você realmente quer ser ou fazer. Assim tem sido este último mês d’O Reverente. Uma reavaliação de tudo que fez, faz e/ou quer fazer e precisa fazer.

Com este conflito de porquês, surge um bocado de conflitos internos que infelizmente só a gente mesmo pode resolver. Alguns dizem que a justificativa deste repensar é “desmotivação”, outros dizem que é “necessidade de se mudar os rumos”. Creio que sejam os dois. Mudar é bom e quando desmotivado é essencial. Todo mundo gosta de desafios e inovações. Mas isso também não quer dizer que iremos abandonar tudo para poder mudar. A mudança é simples: fazer tudo aquilo que sempre fizemos, porém de forma diferente.

Há uma frase que diz: “Não tenho um caminho novo, o que tenho de novo é o jeito de caminhar.”

Assim será.

O Reverente está de volta. Talvez igual, talvez estranho, mas continua como pensante. E promete ainda, não abandonar o barco quando se necessita de gente disposta a remar.

O objetivo de hoje é ser objetivo.

Nada paga a vontade de estar ao lado de quem nos faz bem.

Nenhum dinheiro é capaz de comprar a autenticidade da felicidade quando se é bem recebido em qualquer lugar que se chegue.

Ninguém consegue ser infeliz quando se tem condições perfeitas para que estejamos próximos a quem a gente verdadeiramente ama.

Tudo fica minúsculo no mundo, quando nos sentimos realmente amados.

Nada é tão compensatório quanto a reciprocidade de uma amizade embasada na fiel fraternidade.

O lado ruim? Deixa assim, de lado.

O lado bom? Deixa assim, traga-o pro seu lado.

Melhor que ser recompensado e reconhecido por um trabalho bem feito, é ter a consciência tranqüila de que cumpriu com o devido dever.

São fatos.

Alguns por acaso, outros forjados.

Mas todos sinceros, porque sentimento que é bom, vem d’alma.

 

O Reverente só pede que Deus continue a proporcionar momentos magníficos junto de quem faz bem, e diz a quem lê, que peça o mesmo, porque não há nada melhor do que estar ao lado de quem gosta da gente. O Reverente está objetivo hoje.

Ô saudade…

Na ultima semana O Reverente escreveu um texto, pois estava cansado das ações humanas que repercutiam em sua vida de tal forma que alem de deixá-lo mal, o conturbava e agitava. Pediu que o fim de semana fosse melhor e que tudo corresse mais tranqüilo. A semana não tinha sido das melhores, uma fase de enfermidades e tristezas adentraram a vida do Reverente e não parecia querer mais sair. Em uma semana o primo de 4 anos de idade fez uma cirurgia complicada, a bisavó foi internada às pressas com graves sintomas, o pai de um DeMolay que ele admira muito faleceu e fui tentar amenizar a situação ficando junto dele praquilo que ele precisasse. Freqüentei hospitais, vi mortes de perto, assim como o sofrimento de tantas pessoas que ainda tinham esperança de sair bem e voltar pra casa. Vi a ansiedade e a tristeza e, por mais equilibrado que seja, se conformar não é fácil. Durante todas as visitas, minha bisavó lúcida, porém fraca me contava histórias como fazia rotineiramente. Sempre gostei das histórias dela, contava sobre sua juventude, casos da família e ríamos juntos. Risada gostosa aquela que sabia dar! Jeitinho simples de quem amava a vida que tinha, por mais difícil que fosse. Uma vontade de viver, de seguir em frente, comprar a geladeira nova que namorava em pensamento. Apesar de toda idade e mesmo doente, ela percebi que ela tinha sonhos. Na sexta-feira além da complicação do quadro de minha vó indo para a UTI, uma tia de Goiás faleceu aos 77 anos de idade por pneumonia, que devido à idade e complicações não pôde se recuperar. Sei, pois, que até o Prefeito Municipal faleceu neste dia, tendo luto oficial no sábado e um funeral com toda pompa cheia de políticos, autoridades e cortejos. No sábado, recebemos um telefonema de que um primo de Jundiaí iria operar por ter encontrado 3 cistos no cérebro e pediam orações.

O Reverente acabava de deitar pra dormir no domingo às 2 da manhã, quando recebeu o telefonema da morte da sua bisavó. Ela não suportou e veio a falecer. Foi um velório cheio de lembranças, lágrimas, saudade, jeito triste de rever familiares que há anos não via. Ver laços de esperança de eternidade ser quebrados em mil partes…

Foi um domingo mais nostálgico que os domingos comuns, onde a tristeza tomava conta daqueles que chegavam com um “Até breve”…Aí eu penso, até que ponto vale a pena as brigas e dores e sofrimentos sem necessidade que tomamos a frente e iniciamos durante nossas vidas? O “dar valor enquanto se tem” nunca foi tão real na minha vida, quanto agora.

O Reverente vai dar mais valor à vida. Vai tentar seguir o exemplo de quem se foi. Sabe que não é a primeira e nem vai ser a última perda que terá que enfrentar. Mas não é fácil, por mais entendido e explicado que seja. Sentirá saudade da roça, das caminhadas, dos pastéis, dos risos, da mão quentinha que acariciava, da vaidade de quem apesar da idade amava se aprontar e ficar bonita, saudade das pamonhas e roscas caseiras e das palavras simples e de grande afeto. Dos casos. E a última coisa que pude dizer junto de um rápido beijo no último dia que a visitei foi: “Tchau vovó, eu volto logo.”

 

Ame hoje, mais que ontem. E amanhã mais que hoje. A fração de segundos chega na verdade a milésimos e tudo passa muito rápido e é nesse intervalo, que a gente perde, sem nem se dar conta do quanto há pessoas especiais à nossa volta.

Respira fundo e vai.

Há momentos que dar um basta é necessário. Quando pequenos a Tia ensina: “Gente, vamos usar as palavrinhas mágicas!

Regrinha n° 1 – Bom Dia!, Boa Tarde!, Boa Noite!

Regrinha n° 2 – Como vai? Você está bem?

Regrinha n° 3 – Obrigado, Volte Sempre!, Por favor!

Mamis e Papis diziam também: “Filho, soltar pum e falar palavrão é feio! Menino, guarda esse dedo!”

Assim sendo, a gente cresce, com princípios, caráter suficientemente bom (nem todos) e, treinados pra ser aquilo que a sociedade quer.

Aí, a gente como Demolay aprende que a gente tem que tentar seguir 7 virtudes. Sete focos luminosos que deverão nos conduzir durante toda a vida. Aprendemos também as Lições de Lealdade, Tolerância, Paciência (apesar do mártir não ser Jó!). É tanta coisa pra seguir, que às vezes a virtude que mais sai machucada de todas é a Cortesia, pelo simples fato de que seguir isso tudo, sem se estressar e mandar o mundo ir…pro espaço é quase impossível. A gente tenta, a gente quer, a gente luuuuuuuta pra seguir em frente e ser alguém, mas tem gente que parece que veio pra tirar a gente da rota. Nós, DeMolays (tem as exceções) ficamos a vida inteira com 7 velas acesas lutando contra vendavais pra que as chamas não cessem. Aí, quando o vento acalma, chega trilhões de pessoas dispostas a soprá-las. E aí? A gente faz o que? Joga as 7 velas na cara deles? Pega as 7 velas e coloca-as numa caixa longe do vento? Grita? Chora? Pede socorro? Ou pega de uma vez e sopra tudo e pára de brincar de ser gente decente?

 

O Reverente está no fim de uma semana linda. Muito boa! EspetÁCULO de semana. Ele espera que o fim de semana seja no mínimo bom. Porque continuar seguindo com as 7 velas acesas está muito difícil hoje, ele só ora e pede a 2ª Virtude (Reverência pelas Coisas Sagradas) que o guarde, o ilumine, acalme e, entenda que seguir regras alheias e que não são a sua vontade, às vezes se faz necessário. Amém.

 

Ufa!

Epicurista…

Epicuro de Samos foi um filósofo grego do período helenístico. Seu pensamento foi muito difundido e numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jônia, no Egito e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio foi seu maior divulgador.

Epicuro nasceu em Samos, em 341 a.C. Certa vez ao ouvir a frase de Hesíodo,todas as coisas vieram do caos, ele perguntou:e o caos veio de que? Sofria de cálculo renal, o que contribuiu para que tivesse uma vida marcada pela dor.

O propósito da filosofia para Epicuro era conseguir a alegria, uma vida tranquila caracterizada pela aponia, a ausência de dor e medo, e vivendo cercado de amigos. Ele pensava que a dor e o prazer eram a melhor maneira de medir o que era bom ou ruim. Das numerosas obras escritas pelo filósofo, só restaram três cartas que versam sobre a natureza, sobre os meteoros e sobre a moral, e uma coleção de pensamentos. Por suas proposições filosóficas Epicuro é considerado um dos precursores do pensamento anarquista no período clássico.

A doutrina de Epicuro entende que o sumo bem reside no prazer. O prazer de que fala Epicuro é o prazer do sábio, entendido como quietude da mente e o domínio sobre as emoções e, portanto, sobre si mesmo. É o prazer da justa-medida e não dos excessos. É a própria Natureza que nos informa que o prazer é um bem. Este prazer, no entanto, apenas satisfaz uma necessidade ou aquieta a dor. A Natureza conduz-nos a uma vida simples. O único prazer é o prazer do corpo e o que se chama de prazer do espírito é apenas lembrança dos prazeres do corpo. O mais alto prazer reside no que chamamos de saúde. A função principal da filosofia é libertar o homem. Assim ele divide os prazeres em três classificações:

Naturais e necessários: buscar sempre alimentar-se, domir e beber.

Naturais e não necessários: para se dormir não é necessário ser em lençóis de seda e nem em travesseiros de plumas. Para beber e alimentar não é necessário banquetes, e basta a água.

Não Naturais e não necessários: honras, glórias, condecorações e bajulações.

O Reverente se interessa muito pelas idéias, mesmo que estas sejam contrárias ao que verdadeiramente pensa. Creio pois, que devemos sempre seguir o que afirmava o sábio quando disse: “Não concordo com nenhuma palavra do que disse, mas defendo até a morte o direito de dizê-las.”

Analisando a crítica e a filosofia de Epicuro, tenho refletido sobre o real propósito destes prazeres, narra-se muito sobre a grande miséria que assola os países africanos, fala-se muito na pobreza que invade as periferias do nosso País, e pouco se faz para tentar amenizar esta situação.

As pessoas, e também os DeMolays, são acomodadas o suficiente a ponto de debater sobre estes temas dentro de seus Capítulos e ficar dormindo em casa quando o mesmo resolve fazer uma arrecadação de agasalhos aos desabrigados em decorrência da chuva no Sul do País. Até que ponto os nossos DeMolays têm sido Patriotas ou no mínimo “mais humanos” que os demais seres do planeta Terra?

Lembro-me que quando trabalhava em uma Comissão de Voluntariado em meu Capítulo, muitos DeMolays (que não ajudavam em absolutamente nada) levantavam e com maestria diziam: “Eu sou contra este tipo de trabalho, pois tenho em mente que DeMolay não é um Clube de Serviço”. Talvez que eles realmente achavam isso, mas talvez que tudo o que eles menos queriam, era trabalhar.

Sendo assim, sugiro que se quiserem sejam voluntários, ajudem naquilo que acharem necessário. Corram atrás das benfeitorias, pois aprendemos muito quando fazemos algo bom, com verdadeira vontade de fazer aquilo com o melhor de nós. E se caso se tornarem por vontade própria, grandes voluntários, digo, que deverão fazer por livre e espontânea vontade,  não esperando condecorações ou “trocas”. Não façam jamais um trabalho por obrigação. Quando fazemos algo obrigados, o trabalho é ruim, surte um resultado diferente do que queríamos e aprendemos pouco (quando aprendemos) , além do que, não compartilhamos os melhores pensamentos.

Quanto às honrarias, bajulações e glórias, creio que algumas são necessárias com o intuito de motivação, mas entendo também que ser “geladeira cheia de pins e jóias e coisinhas coloridinhas” além de antiquado, chega a ser desnecessário.

Você ganhar alguma honraria por trabalho justo e feito com eficiência é até interessante para que continue o caminho fazendo o que é bom, porém, você trabalhar por obrigação com o intuito de receber medalhinha no final, na maioria das vezes é frustrante, pois nem sempre alcança-se o resultado almejado.

Faça o seu trabalho, seja no Capítulo, no Convento, Távolas ou Colégios, pelo único intuito de crescer como indivíduo e assim, ajudar de forma direta ou indireta pessoas que estão ao seu redor.

 

O Reverente já trabalhou demais. Ganhou troféus “Escrava Isaura” durante alguns anos. Ainda trabalha. Ainda quer trabalhar. E não são jóias que o motivam. Isso ele já provou.