O UM colar para a todos governar…

Uma vez, há época que ainda era MC, imitei o MC do Capítulo que instalou o meu, quando fora questionada sua autoridade enquanto MC. Dei uma de minino birrento, desci do Oriente e me postei no altar, diante da Bíblia Sagrada. Olhando nos olhos dos meus Irmãos, apenas com as velas acesas, retirei o colar, que para muitos simbolizava apenas o poder seco e cru, e fiquei como DeMolay ativo, de gravatinha preta, camisa branca, calça preta, cinto preto, sapatos preto, meias pretas (e até cueca preta, se não estou enganado).

Comecei com uma fala estranha, que hoje considero até demagoga, dizendo que eu era como um deles e que aquele colar não era nada para mim. Chorei de raiva, minutos antes, ouvira um Irmão dizer que eu era um safado que só queria aparecer. E, entregue a um ataque um tanto quanto infantil, pedi que se alguém fosse mais maduro e mais capaz de fazer o que eu fazia pelo Capítulo, levantasse e pegasse o colar. Depois de alguns minutos, o silêncio perdurou interminavelmente…

Essa semana lembrei dessa fala. Já faz algum tempo que postei algo sobre colares… um grande amigo meu, que já foi muita coisa na Ordem DeMolay, uma vez me perguntou se devia usar o colar de Past. Eu que também já era Past muita coisa, falei que a essência do cargo está na pessoa, não no colar. Era uma abertura de congresso e, depois da minha fala, ele resolveu deixar o dele em casa… pois é, mas os colares perseguem algumas pessoas…

Na época em que se iniciaram as brigas nacionais do DeMolay (março de 2003, pra ser um pouco mais preciso – vide tio Mansur X tio Lins), alguns DeMolays mantinham uma certa idolatria pelo nosso fundador brasileiro, tio Alberto Mansur. Poucos encostavam nele pra conversar durante muito tempo, a maioria queria apenas uma foto ou um autógrafo no ritual. O tempo foi passando, as guerras foram ampliadas e houve a cisão. Cada um pro seu rumo, com colares diferentes ou até mesmo parecidos, mas as batalhas continuava. Essa semana vi a comunidade “Unifica DeMolay Brasil” ou algo similar. Então, depois de tantas idas e vindas, lembrei da reunião que tirei o colar pra mostrar que não queria o poder dele. Quem vai abrir mão do UM colar para a todos governar?

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Sois DeMolay?

“Lógico! Você foi na minha iniciação! Não tá lembrado? Foi naquele dia que o MC falou que a mãe dele ia parar de reclamar, pois a gestão ia acabar”.

Cena nova pra você? Pra mim não. Infelizmente!

Em um dos Capítulos que visito, já cansei de ensaiar as formações da ritualística DeMolay. Toda iniciação, toda elevação é a mesma coisa: não sabem como fazer nada! Aí fico com aquela triste sensação nostálgica: no meu tempo os DeMolays costumavam decorar as falas e as movimentações. Conversando com um Irmão essa semana, ele foi bem Franco ao dizer que estamos fadados à extinção. E eu fiquei refletindo sobre o assunto. Se eu acho o DeMolay tão bom, por que estaríamos destinados a acabar?

Chamei um colega de faculdade pra ingressar no DeMolay e, depois de muito resistir para dizer não (tinha medo de como eu reagiria), ele negou ter interesse. Não entendi. Mas cada vez mais começo a pensar como ele parece infelizmente estar certo (maldito, maldito, maldito, mil vezes bendito) – rende outro post

1º ponto: os jovens estão cada vez mais vazios. Nossas cerimônias não são fórmulas vazias, mas se os jovens a quem elas se destinam estão cada vez mais vazios, não nos resta muitas opções para iniciação. Podemos mudar a juventude? Duvido! As revoluções culturais parecem ter se estancado após maio de 1968, a não ser por figuras que estão mais próximos de rebeldes sem causa do que para modificadores do entorno – vide ídolos do pop/rock, a exemplo de Renato Russo e Cazuza, que modificaram padrões, porém foram incapazes de mudar o forma dos jovens pensar a vida.

2º ponto: Uma organização com quase 90 anos de existência, se não se adaptar a uma série de mudanças vai realmente acabar. O próprio DeMolay International enfrenta o esvaziamento das fileiras nos EUA, com o aumento nada discreto das ofertas de consumo para os adolescentes – quando criada, a DeMolay lidava com crianças também, já que adolescente era a partir dos 14 ou até 15 anos. Se tem games diversos (sem relacionamento interpessoal), se tem opções de diversão mais solitárias, os nossos atuais colegas de classe – jovens – não se interessam por mais do mesmo que é o que temos nos tornado.

3º ponto: Essencialmente, a DeMolay pode até ser perfeita. Seus membros, como já se sabe não o são. O problema é que nem buscam ser – ou tentam. É difícil tentar colocar em prática aqueles Sete princípios que ensina a Ordem? Pelo que eu ando vendo, é impossível. Não nos entendemos internamente. Nossas instituições viraram cabide de colares. Alguns acreditam piamente que nasceram para isso, e se fecham num clubinho tão escroto que nem sabem que existe um mundo lá fora. Esquecendo dos princípios pra que fomos criados, pra que existir?

4º ponto: PUTAQUEPARIU! Idiotas que somos, olhamos para o próprio umbigo o tempo todo e nem vemos o que nos circunda. E, quando o fazemos, taxados de idiotas pelos que não são DeMolays, abandonamos os objetivos por vergonha. Quem tem vergonha não é homem. Quem tem vergonha de dizer que faz o que faz é um fraco! Se você se sente tímido ao ouvir alguém perguntando o que é DeMolay – a depender da situação – não merece estar num grupo como ele. E, por pessoas como você – e eu – o DeMolay está fadado a acabar!

O Amoroso está cada vez mais decepcionado com seus Irmãos. E com a vida. E com o Brasil. E com tudo!!!

PAREM O MUNDO! EU PRECISO DESCER!!!

Vai lá, Frodo!!!

Depois de tantos posts em sequência e tantos comentários incríveis sobre o que realmente a Ordem DeMolay se tornou nos últimos tempos, acredito que cheguei a uma conclusão do que esperar da Ordem… e como resolver todos os problemas:

VAMOS ACABAR COM OS COLARES!

Pena que essa solução não baste para tudo, neh?

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