Jogar tudo pro ar.

Vivemos demasiadamente o futuro, talvez por isso o tempo passe tão rápido. Velhos morrem logo, jovens chegam à velhice em piscar de olhos, crianças se tornam adolescentes em fração de tempo recorde e bebês caminham e falam mais e mais rápido.

Nós vivemos mais o futuro do que o presente, até porque o nosso presente é baseado no que queremos pro nosso futuro.

Frases como: “Nossa, não vejo a hora…” ou “Poxa hoje podia ser sexta…” faz com que criemos uma expectativa imensa em não ver a hora do futuro chegar e, como conseqüência esquecemos o presente, para esperar o futuro.

 

Enquanto criança indo sem querer pra escola dizíamos: “Quanta imbecilidade pra que vou precisar disso no futuro? Não vejo a hora da Faculdade, que aí farei o que eu quiser. Crescemos, e já no Ensino Médio, “Não vejo a hora de passar no Vestibular”. Já na faculdade: “Não vejo a hora de me formar, não agüento mais a mesma rotina, professores, dependências”, quando formados: “AAAAAAAAAAAAAAA não agüento mais trabalhar, não vejo a hora de me aposentar, ir morar na casa de praia, sol, mar, água de coco!” Aí, na maioria das vezes morremos, sem o sol, sem o mar, sem a água de coco!

 

Será que é tão difícil fazer tudo o que temos vontade hoje? Tendo por base, claro, o senso comum de que o “tudo que temos vontade” não é correr nu em via pública ou roubar velhinhos.

A culpa de acreditarmos mais no futuro do que no presente, não é nem do calendário, nem do relógio, nem dos compromissos. A maior culpa é nossa em carregar conosco calendários em formas de algemas, relógios como bombas e seguir a risca compromissos que digamos: “poderiam ficar pra depois…”

 

Seríamos mais felizes se pensássemos: “ Eu quero é ser feliz, antes de mais nada”

 

O Reverente deseja a todos um Feliz Ano Novo, que neste ano que começa [depois do Carvanal como dito no Comentário do post anterior] tudo se modifique, que o tempo seja presente e que Deus assim conserve e você também. Viva o hoje. O amanhã está longe demais.

Quem dera se déssemos mais valor às lutas e dificuldades de nossos antepassados.

Nossa memória e nosso raciocínio DeMolay começa quando iniciamos, e somos treinados a conhecer o presente, as formas de se fazer cada coisa, cada movimento, cada ação, o que pode e o que não pode. Como saudar, quem é quem ali, horário de reuniões, dias, tios, irmãos e assim ficamos focados nos mesmos horizontes: Nossa própria e equivocada Evolução.

Engraçado é descobrir que a Ordem DeMolay não começou no dia de nossa Iniciação. Ela começou antes. Bem antes. Não sabíamos , não conhecíamos, mas ela já existia e o que passamos hoje, muitos já passaram. O cargo que fazemos hoje, muitos já fizeram. As justiças e injustiças que sofremos hoje, outras centenas ou milhares também passaram. Talvez coisas piores, ou quem sabe menos tristes.

É tão bom já pegar um Capítulo andando, conhecendo Ritualística, sabendo os princípios de um DeMolay, com DeMolay que sirva de exemplo ali dentro. Mas engraçado é pensar que aquilo ali teve um início há algum tempo atrás, onde as pessoas não tinham tanta afinidade, não tinham noção sequer dos cargos que faziam, não possuíam talvez muitos objetos que se fazem hoje, necessários. E, aos poucos construíram bases fortes para que pudéssemos um dia, sem a presença deles, desfrutar da Ordem DeMolay, como um dia eles puderam também.

Foram momentos engraçados aprendendo como fazer uma ata, qual a verdadeira função de um Hospitaleiro, a primeira Campanha, a primeira festa para arrecadações, as salas lotadas de tios curiosos em ver aquela novidade chamada DeMolay. Ah! Bons tempos!

Quando usamos cada capa, não imaginamos quem a possuiu um dia. Quando fazemos um cargo, não sabemos nem ao menos se algum dia alguém desejou tanto ter a mesma função e não teve oportunidades para tal.

Fazemos muitas vezes por fazer, sem emoção, sem vontade, muitas vezes reclamamos, chamamos o Mestre de Cerimônias que delegou, de imbecil metido e, passamos automaticamente a esquentar cadeiras.

Ah! Se déssemos mais valor a todos aqueles que batalharam pela existência do que hoje podemos usufruir com tanta facilidade.

Creio que agir desta forma é perda de tempo, pra gente e pro Capítulo ao qual pertencemos. Seria tão belo se fôssemos mais entusiasmados em ter coragem de levantar e mostrar com maestria a arte de se fazer bem àquilo que abraçamos com tanto amor.

Ter vontade de fazer bem, servir como exemplo, mostrar a beleza e a nobreza de poder dizer: Sim, eu sou o 1° Mordomo de meu Capítulo e faço bem a função que me foi designada, pois honro todos aqueles que um dia passaram por ali. E servirei de bom exemplo a todos que ali haverão de passar.

Aí está a diferença básica entre almejar um cargo e receber um cargo. Quem almeja talvez não consiga. Quem recebe é porque de fato merece.

Dê o máximo de si para o cargo que lhe foi designado, aquele que sonha, terá para si o que quiser,  e isso depende de um bom trabalho desempenhado, não porque leu e sabe decor as suas funções, mas porque teve orgulho de abraçar seu cargo com amor, e sendo DeMolay de coração soube ser digno daquilo que lhe foi conferido.

 

O Reverente ficará feliz em ver 7 preceptores satisfeitos e honrando dentro de seus Capítulos não só as capas, mas também o exemplo de irmãos verdadeiramente ligados ao valor de nossos princípios. Que Deus nos ajude!