Manual para MCs de primeira viagem! – Parte 1

Olá, Ordem DeMolay brasileira. Quanto tempo, não? Estive ocupado semana passada e não pude postar, que pena. Mas cá estou. Ah sim, eu gosto muito quando metade da população leitora desse blog não entende patavinas do que escrevo e se acaba nos comentários, viu? Keep walking, já diria o danado, neste caso, keep trying.

Mas então, a criatividade anda apagada dos irmãos que cá escrevem e a praga me pegou também. Então vou soltar dicas interessantes para quem vai assumir de Mestre Conselheiro (ou assumiu há pouco) para a gestão que se segue (ahn ahn?):

Foi eleito e empossado, que legal. Então agora faz o seguinte: chama a galera também conhecida como conselheiros e sentem a bunda num lugar em que se sintam à vontade, vocês terão um bommm papo. Definam nominata, calendário e possíveis projetos iniciais. Segundo semestre é época de congressos, pelo menos no lado SCODB de Minas Gerais que servirá de exemplo, então lembre-se que além de ter menos reuniões que no primeiro semestre, ainda terá que viajar com seus queridos irmãos para votar e, em alguns casos, até ser votado. Não preciso dizer que as datas de Elevação e Iniciação têm que ser marcadas com antecedência e o Grande Capítulo vai agradecer se os formulários e taxas forem remetidos dentro do prazo estipulado (só pra ajudar os coleguinhas do GCEMG!). Ok, principais datas estipuladas!

Nominata dá dor de cabeça em qualquer caso. Em Capítulo que tá fraco porque não dá pra preencher tudo e em Capítulo forte porque sempre fica alguém insatisfeito com o que lhe foi proposto (que o digam os Sentinelas, só para usar um exemplo de cargo que nunca é muito bem aceito no Capítulo do qual faço parte. pra ser sincero, eu também tinha pavor de ser colocado em tal cargo, achava um porre). Vamos lá, sugiro o seguinte: Escrivão pode ser nomeado, então coloque alguém que saiba ler. ÓOOOO, sim, simples assim. No mínimo o cara tem que saber ler, aí você pede pra ele fazer uma redação pra ver se também sabe escrever, mesmo que minimamente. Se passar nesse teste, procura saber se é organizado, porque ninguém merece escrivão que carrega trolhas de folhas e que não consegue listar as atas que escreve. Bem, escolhido o Escrivão, brinque com os outros cargos.

Outra sugestão é a de que o Mestre de Cerimônias seja um cara de confiança da diretoria, até pelos atributos e pelo que normalmente faz numa reunião – não vou escrever nada nesse sentido aqui, obviamente. Um Organista que sabe escolher bem as músicas e lidar satisfatoriamente com as luzes ajuda muito na harmonia da reunião. O Tesoureiro é eleito ou nomeado, sendo o segundo caso de extrema atenção porque este cargo exige alguém realmente dedicado e que dobre sua atenção, uma vez que mexe com o dinheiro de todo o Capítulo.

Definido isso tudo, tem uma coisa muito legal de se fazer: conversar com os Tios, especialmente os do Conselho Consultivo. Troque idéia com eles pra saber o que eles acham que foi legal e o que não foi nas gestões passadas, explique suas idéias e projetos e comece a criar laços com os caras que estarão do seu lado a gestão inteira, é essencial.

Daí pra frente, é paciência, telefone, e-mail, orkut e muita dedicação. Não tente falar nada decorado se realmente não souber bem tudo que tem pra falar. Não é feio ler o ritual ou parar para consultar a constituição ou regimento etc. Errar ou pular alguma coisa também não é nenhum pecado ou falha grave, mas para evitar isso não custa nada dar umas boas lidas no ritual antes de cada reunião. Lê no banheiro, no ônibus, na aula chata, onde quiser (com as devidas precauções, hehehe), mas nunca deixe de dar uma revisada pelo menos uma vez por semana. Rever procedimentos de votações e cerimônias públicas e especiais também é uma boa!

Espero que tenha ajudado alguém… Isso aí é o básico, alguém que realmente gosta do que faz e sente prazer em ocupar distinto cargo, com certeza vai chegar longe. Mas haja paciência, isso eu peço e garanto!

Montanha-russa

Já notaram que todo Capítulo sobrevive numa oscilação, tipo uma montanha-russa?

Tem o início, quando tá todo mundo empolgado, participativo… Os tios, animadíssimos, custam a se conter de tanta animação. Depois da instalação, todo final de semana – quando muito, quinzenalmente – é motivo para encontrar com a galera, seja em reunião ou fora dela.

Aí quando tá todo mundo super pra cima e o Capítulo tá ganhando força… Vem a primeira descida. Pode ser por causa daquele DeMolay menos experiente que assumiu o cargo de Mestre Conselheiro de forma precoce ou até mesmo porque os tios se cansaram e arrumaram coisa melhor para fazer num sábado à tarde. A descida é cada vez mais íngreme e parece que não vai acabar nunca!

Eis que se chega ao final dela. Troca de gestão: outro DeMolay assume o comando e, mesmo com tanta idéia bacana para revolucionar, o tempo é curto e a mão-de-obra também. Só lhe resta manter o Capítulo estático, colocando a casa em ordem na esperança de que seu sucessor engrene a força de vontade da galera. E aí tudo começa a funcionar lindamente, como num passe de mágica.

Mais uma subida. Desta vez todo mundo tem experiência e não vai cometer os mesmos erros novamente. Os tios começaram a voltar: viram que os meninos querem fazer um trabalho sério e que vai muito além da reunião ritualística. Aparece um conclave, um congresso, reuniões nos Capítulos das cidades vizinhas… E o Capítulo se fortalecendo de novo. O top five estadual começa a ser realidade num futuro próximo… 100% do Capítulo regular… E tá quase… Tá quase…

Espera. Vamos sossegar o facho um pouco. Com tanta expansão, a nossa ritualística foi deixada de lado. Tá tudo uma bosta! UMA BOSTA! Fulano só vai na reunião para falar bonitinho; cicrano só quer saber das farras pós-Capítulo; beltrano nem se dá ao trabalho de decorar sua fala de Sétimo Preceptor… E quando for Iniciação? O que é que os Iniciáticos vão pensar? Danou-se!

Danou-se mesmo. Lá vai o Capítulo cair de novo. E começam as rodinhas de fofoca, as panelinhas, os conchavos… Todos agindo em nome do “bem maior”, mas visando sempre o SEU bem maior. Tantos disse-me-disses, tantas rixas… E se bobear, até tio entra na dança e brinca de bater boca com “aquele bando de moleques”!

É nessa hora que a montanha-russa capitular começa a querer parar. Todo mundo já pensa em sair dos carrinhos, ir embora pra casa e, no máximo, fazer um aceno de cabeça quando esbarrar com um irmão na rua. Mas a paixão pela Ordem fala mais alto em alguns e eles permanecem firmes, sentadinhos. Eles sabem que a montanha-russa contunua a descer enquanto existir pessoas e, conseqüentemente, ideologias diferentes. Mas, ainda assim, a expectativa da subida vale a pena o desafio.

O importante é perpetuar o momento. 😉

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O Cortês já passou por várias subidas e descidas na montanha-russa de seu Capítulo. Muitas vezes na fileira da frente.