Um conto de Natal…

Era manhã chuvosa como outra manhã de um dezembro chuvoso. Ao abrir a janela, o pequeno menino de olhos negros viu as gotas grossas daquele mês tão triste e trágico. Acompanhara pela TV a enorme quantidade de pessoas mortas e/ou desabrigadas com a enorme quantidade de chuva que não parava de cair. Enquanto ele ainda tinha um teto para cobrir sua cabeça, outros já não tinha a mesma sorte.

Mas, depois de passado alguns segundos admirando a chuva, o garotinho lembrou-se que era manhã de Natal. Seus pais, extremamente abonados mesmo em tempos de vacas magras para outras famílias, sempre lhe davam o presente que queria. Esse ano pediu, sem falsa modéstia, um Playstation3 e um iPod Touch. Queria mostrar na escola, assim que as aulas voltassem que ele podia ter tudo o que queria. E, agora, depois das “surpresas” de Papai Noel, restava-lhe contar os dias para o primeiro momento em que encontraria seus coleguinhas para gabar-se de seus presentes.

Era filho único. Aliás, tinha um irmão menor, mas como sempre brigavam, os pais os separaram na enorme mansão com tantos quartos que não teriam como contar. A única vez que era obrigado a ver o irmão mais novo (que se referia como bastardinho) era no café do dia de Natal.

Foi então que lembrou-se que naquele dia que tinha tudo pra ser feliz, com trocentos brinquedos e todas as suas vontades satisfeitas, ele teria que reencontrar o “bastardinho”. E desceu para o café. Chegando lá, viu os pais a uma distância considerável, fez um breve sinal com a cabeça em sinal de agradecimento e sentou-se, em uma das pontas da mesa gigantesca. Do outro lado, sentava-se o irmão mais novo, com um sorriso que o deixava extramemente chateado, pois não entendia a felicidade daquele “bastardinho”.

Comeu como sempre fizera. Educadamente, porém em uma quantia que satisfaria um adulto muito facilmente. Não trocou uma palavra com sua família e voltou para o seu quarto para brincar com seu Playstation3 e seu iPod Touch.

Assim termina esse conto de Natal…

Gostou? Sei que não. É um história mal-contada, de pessoas que parecem não existir, falando de um dia que teria que ser mágico e não é encarado por todos dessa forma. Ficou chocado? Quase todos temos um lado tão perverso e tão mesquinho que pode ser esse pequeno garotinho. Comovido com o início do conto? Pois é, né? Às vezes, nos enganamos com a primeira impressão. Refletir sobre isso? Não precisa. É só olhar pra si e ver o pequeno monstrinho que há dentro de você. Que cada um tem um pouco. Eu, você e vocês. O Amoroso anda bem revoltado esses dias…

Sugestão:

Vaidoso? Eu?

Meu voto por um jantar

Anúncios