Meia vida

Já vou avisando que este post tende a ser o mais auto-ajuda de todos os tempos, beleza?

Então… Assisti um filme uns tempos atrás em que diziam uma frase bem bacana (clichê 1):

Viver com medo é viver pela metade. (clichê 2)

Penso nessa frase constantemente e tento fazer dela um mantra para continuar, sem medo, a minha vida (clichê 3). Sabemos que sentir medo, às vezes, demonstra um certo raciocínio lógico e uma precaução maior antes de enfrentar os desafios. Mas sabemos também que, se nos deixamos dominar pelo medo, nada acontece e a vida passa sem a gente nem sentir (clichê 4). Na prática é tudo bem diferente, como a maioria dos ensinamentos (clichê 5). Esperamos demais a hora certa, ensaiamos muito, sofremos por antecipação… E nem sempre temos coragem de agir. O medo acua as pessoas e, mesmo com a segurança ao nosso lado, não é toda vez que aproveitamos uma oportunidade.

Nos meus áureos tempos de DeMolay ativo, tinha desafetos entro do Capítulo – como todo mundo tem. Um deles em especial resolveu candidatar-se ao cargo de Mestre Conselheiro e, não sei porque cargas d’água, convidou-me para participar da tríade. Mesmo sabendo que eu tinha capacidade (e ele alegando isso, inclusive), não aceitei o convite e criei, automaticamente, um desconforto ainda maior entre nós dois.

Até hoje páro e penso no que poderia ter acontecido se eu tivesse aceitado o convite… Será que eu teria realmente sido um bom Conselheiro? Será que as intrigas daquela inimizade se acabariam? Será que eu teria sido Mestre Conselheiro seis meses depois? Como seria a minha vida hoje se eu tivesse dito “sim” ao convite?

Não sei. E, para a minha felicidade, nunca saberei.

Depois de algum tempo, entrei numa tríade e, seis meses depois, assumi o cargo de Mestre Conselheiro. O desafeto se afastou do Capítulo na época. A gestão, como a grande maioria, acabou bem e eu voltei a ter uma vida de DeMolay ativo. O desafeto voltava aos poucos e, alguns anos depois, ele conseguira um cargo de liderança juvenil. Coincidentemente, fomos nos encontrando informalmente e tendo mais oportunidade de conversar sobre assuntos diversos. Um belo dia, ele me convida para ser presidente da comissão organizadora de um congresso e, num piscar de olhos, tudo veio à tona.

Mas eu disse “sim”. E abri uma porta para uma amizade que, se não tivesse sido o meu “não” do passado, poderia ter vindo muito mais cedo.

Enfim, não adiantou eu ter medo: o próprio destino me colocou diante daquele mesmo desafio. Talvez as coisas seriam dierentes hoje se eu tivesse recusado novamente, mas, como disse lá em cima, ainda bem que não sei. Não teria a mesma graça. E nem teria sido agradável viver a minha vida pela metade outra vez.

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O Cortês ainda pensa muito sobre os resultados de suas escolhas. E sabe que é bem melhor assumir todos os riscos e viver por inteiro.

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