Odeio os indiferentes

Créditos: SidVicious08. http://sidvicious08.deviantart.com/

Começo a reparar que o Caí de Pára-Quedas tem fomentado discussões saudáveis nas caixinhas de comentários dos nossos posts e isso me deixa profundamente feliz. Sim, pois, de certa forma, é sinal de que temos deixado por aqui idéias com algum fundamento e que, tanto pro sim quanto pro não, possuem peso e consistência no nosso universo paralelo.

Entretanto, devo confessar que fico cada dia mais preocupado com o nível de discussão criado por aqui. Como diria o tio Ben (e roubando carbono descaradamente dO Amoroso), “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. E eu nem falo de quem comentou, mas sim de quem deixou de comentar. Já disseram por aqui que nossa forma de expressão e argumentação não deixa margem para os comentários, mas eu discordo veementemente. Prova disso é a safra de comentários que tem aparecido nas últimas duas semanas, todos muito proveitosos para cada colaborador deste blog (thanks, O Virtuoso!).

Acredito que quando não se manifesta a opinião se dá margem para ações não desejadas e um descontentamento gigantesco. Inclusive, já comentei por aqui também que a dúvida sempre existe e nem sempre temos opinião sobre os temas de nossa Ordem do Dia, mas é importante que tenhamos consciência daquilo que é dito (te dou uma alienação?) para não reclamarmos depois.

Um dos meus maiores medos é a indiferença. Em todos os lugares, em todas as circunstâncias. Segue abaixo o motivo:

“Odeio os indiferentes. Como Frederico Hebbel, acredito que ‘viver é tomar partido’. Não podem existir apenas homens, os estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e partidário.
Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida. Por isso, odeio os indiferentes. A indiferença e o peso morto da História. É a bola de chumbo para o inovador, é a matéria inerte na qual freqüentemente se afogam os entusiasmos mais esplendorosos.
A indiferença atua poderosamente na História. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade, é aquilo com o que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mais bem construídos. É a matéria bruta que se rebela contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se deve tanto à iniciativa dos poucos que atuam, quanto a indiferença de muitos.
O que acontece não acontece tanto porque alguns o queiram, mas porque a massa de homens abdica de sua vontade, deixa de fazer, deixa enrolarem os nós que, depois, só a espada poderá cortar; deixa promulgar leis que, depois, só a revolta fará anular; deixa subir ao poder homens que, depois, só um sublevação
poderá derrubar.
Os fatos amadureceram na sombra porque mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões restritas, os objetivos imediatos, as ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens ignora, porque não se preocupa. Por isso, odeio os indiferentes.”

Antonio Gramsci, escritor italiano (1891 – 1937). Fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/02/306644.shtml

Preciso dizer mais alguma coisa?

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O Cortês aguarda ansiosamente os comentários e espera ter incentivado os leitores do Caí de Pára-Quedas à reflexão sobre os diversos temas que permeiam nossa Ordem.

Xiitas não são bem-vindos, ok?

Brancos, nulos e indecisos

Você é DeMolay? Sim ou não?

Esta pergunta não tem uma terceira alternativa, assim como tantas outras. Porém, muitos irmãos insistem em ver nesta pergunta mais que três palavras. É o famoso “ler nas entrelinhas”: tudo depende de quem pergunta, de como pergunta, de quando ou onde pergunta… E aí, se a pergunta “aparenta” ter um duplo sentido, abre-se um universo de possibilidades para uma resposta que, em teoria, seria tão simples.

A dúvida é sempre válida. Eu, particularmente falando, aprecio demais quando me perguntam algo e adoro perguntar quando tenho dúvida – por mais imbecil que possa parecer. Acho que por participar constantemente de processos criativos, brainstormings tornaram-se uma rotina. Perguntar, duvidar, indagar e até mesmo levantar hipóteses: fases interessantes de tais processos e que podem fazer parte da rotina de um Capítulo facilmente.

Mas vocês já notaram quando, por exemplo, o Mestre Conselheiro coloca algum assunto em discussão e pede opiniões e só alguns irmãos se levantam para palpitar? Será vergonha? Medo? Descrença? Sem querer parecer Bertold Brecht, mas ser indiferente a qualquer tipo de processo decisório é a porta para o caos. E mesmo que não se possa participar diretamente de determinado processo (como já explicou aqui mesmo o nosso irmão O Fiel), a opinião deve ser, de alguma forma, manifestada.

A Ordem DeMolay, mais do que nunca, precisa de idéias, sugestões e críticas construtivas (sim, porque é muito fácil apontar o dedo e reclamar, né?). E vivemos uma fase de ambos os Supremos (creio eu – corrijam-me nos comments se eu estiver errado) em que a falta de transparência não é mais tolerada. Sendo assim, não seria útil fazermos o mínimo para ajudar a melhorá-la? Alguém aí já pensou em procurar a ouvidoria de seu GCE (e viva a sigla que serve para os dois lados!) e propor o que quer que fosse, sem ter que esperar um congresso estadual para, enfim, fazer panelaço e reclamar de tudo? Ou melhor: alguém aí sabe que existe ouvidoria no seu GCE? Mais duas perguntas de sim ou não e que, dependendo de quem, quando, como, onde e porque pergunta, podem ter inúmeras respostas…

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O Cortês tem 1001 idéias para melhorar a Ordem – várias delas em prática, felizmente.