E as escolas públicas?

Recentemente uma escola pública foi totalmente depredada em São Paulo. Os professores foram presos dentro de uma sala, a diretora desmaiou, crianças choravam e gritavam ao verem as brigas dos alunos mais velhos. Um verdadeiro caos. E todos nós sabemos que esse caso não foi o primeiro, não vai ser o último e muito menos é esporádico.

E a Ordem DeMolay?

Peço licensa para transcrever um trecho de uma Cerimônia que conhecemos bem:

2M: … e para nos recordar que as escolas públicas são os alicerces da grandeza de nosso país.

Aí está. O que fazemos de fato pelas escolas públicas? Em uma pesquisa recente em meu Capítulo, constatamos que a maioria estuda em escola particular. Apenas cinco estudam no sistema público. Não sei se o fato se repete em outros Capítulos, mas se repetir, podemos concluir que a Ordem DeMolay não conhece a escola pública. E mesmo assim a defende. Estranho não?

Creio que os Capítulos podem fazer mais pelas escolas públicas. Em um universo de vinte rapazes, creio que pelo menos um fale bem inglês ou outra língua, dois a quatro estejam no ensino superior, pelo menos alguém saiba algo como xadrez, arte marcial, música ou desenho, entre outras coisas. Se unir esse conhecimento em prol de uma escola pública, como em aulas de reforço ou aulas extras, estaremos exemplificando bem o trecho da Cerimônia transcrito lá em cima. E ele deixará de ser vazio.

Fazer o Capítulo adotar uma escola não é coisa difícil. Não gera ga$tos e é gratificante. Recentemente, acompanhei um projeto de um Rotaract Club. Uma diretora de uma escola, por intermédio de um aluno que faz parte da associação, pediu ajuda. A escola estava muito ruim, biblioteca defazada e a quantidade de recuperações aumentando. Os sócios do Rotaract fizeram vários eventos para arrecadarem fundos, fizeram uma campanha do livro junto ao comércio local e intercederam junto ao poder público. Resultado: A escola foi reformada, melhorou-se a biblioteca, os pais passaram a acompanhar a escola e foi-se montada uma fanfarra. Isso tudo foi feito em dois anos. Creio eu não ser difícil para um Capítulo fazer o mesmo. Basta vontade.

O nosso mal às vezes, é falar muito e fazer pouco. Nossas cerimônias são muito bonitas, nossos ensinamentos incríveis. Mas botar em prática, fazer acontecer o que pregamos, eu, pelo menos, vejo pouco (acho que esse pode ser um assunto para outra postagem). É o que eu falo sempre. Necessitamos de uma Ordem DeMolay mais atuante.

Fica a idéia.

O Patriota já foi Amigo da Escola e hoje por falta de tempo teve que largar. Mas em breve espera retornar. Ele ainda lembra que hoje é quinze de novembro, data da Proclamação da República, dia do Meu Governo. Hoje, portanto, é Dia Obrigatório. Não se esqueçam de mencionar a data de hoje em seus Capítulos e se possível fazer algo especial. Vale lembrar que Marechal Deodoro da Fonseca é nosso Tio e foi Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, no período de 1890 a 1891.

Construção de conhecimento

Recentemente, em uma lista nacional, circulou um e-mail sobre uma lei sancionada pelo Presidente da República. Esta lei, da certas regalías a ex-Presidentes, como servidores à disposições, carros por custo do Estado e proteção integral pela Polícia Federal.

Alguns questionaram que tal e-mail não contribuía para a Ordem.

Bom, e como se fazer um patriotismo? Cego? Acho que crítico, é a melhor opção. Formar líderes. Não é esse o objetivo de nossa Ordem? Então os formemos. Mas líderes que o realmente sejam, que acreditam em certas instituições por convicção e não por simples acreditar.

O e-mail contribuiu para uma discussão saudável. Tocou em pontos interessantes da Ordem, que são feridas, ao meu ver. Afinal, e as Escolas Públicas, tão exaltadas e “defendidas”? Quantos DeMolays realmente fazem ou fizeram parte do Sistema Público de Ensino no Ensino Fundamental e Médio? São temas interessantes à Ordem.

Infelizmente são temas que surgem poucas vezes. Quando surgem, são criticados duramente. Parece que DeMolay deve ser alheio ao mundo.

Esse tipo de informação só vem à contribuir. Para sermos líderes, devemos estar a par dos acontecimentos que nos rodeiam e construir uma opinião sobre eles. Se permanecermos na mesmice de não se discutir certas coisas dentro de nossos Capítulos, creio que não estaremos formando líderes por completo. Deve-se dar ao DeMolay a oportunidade de opinar, não só sobre assuntos da Ordem mas sobre tudo. Devemos construir um conhecimento.

O Patriota acredita em DeMolays críticos que sabem contribuir para a Ordem e para o conhecimento de seus Irmãos. Não só com Ritualística ou Administração Capitular, mas com assuntos pertinentes à formação de caráter de um cidadão de bem.