Olha a Carapuça!!!

Muito já me foi perguntado sobre os segredos da Ordem, e todas as vezes respondi que não poderia contar, pois prometi. Assim sendo, fui pego repetidamente pela indagação:

_Mas o que vocês fazem lá? , com ar de suspense e curiosidade.

Continuei convicto numa resposta que dizia:

_Discutimos assuntos e filantropia.

E novamente me questionavam:

_Mas não falo disso, quero saber ritualística, os segredos!

Logicamente que se é segredo, eu não devo contar ora!

Tudo que desperta curiosidade faz com que as pessoas profanas, mães, pais, vizinhos, amigos, filhas de jó, garotas arco-iris e outra multidão de pessoas fiquei tentadas a descobrir, pesquisar, querer saber, indagar. Pra quê?!

No que nossa Reunião poderá melhorar a condição de Filha de Jó da prima que questiona? No que o que fazemos ou não lá dentro interferirá na vida da minha família e dos meus amigos?

Se é sigilo, deve ser sigilo e assim prosseguir.

Sempre digo aos garotos: “Se querem que a nossa Ordem seja respeitada, respeite as outras, e acima de tudo respeite-nos também.”

Todos sabemos: colhemos o que plantamos. Falando coisas que não deveria ser faladas só estaremos depreciando nossa Ordem e revelando aquilo que juramos guardar.

Um de nossos segredos, senhores leitores, creio que seja perceptível aos olhos do mundo todo, é a Fraternidade. Ah! Digna Fraternidade! Posso dizer que, as minhas melhores amizades, encontrei foi em nossas fileiras. Mas posso dizer também que como em todo lugar, encontrei nelas também falhas horrorosas. Percebi que enquanto pregávamos a tal “Fraternidade”, nos defrontávamos com o contrário dela dentro de nosso próprio convívio. O que mais se vê hoje são DeMolays que não entenderam ainda o valor da Fidelidade, Companheirismo, Confiança e Lealdade. O que mais se vê hoje, são demolays que possuem 2 vidas: Intra-capitular e Extra-capitular.

Dentro, fala bem, decora bonito, apresenta de forma magnífica, e age como um sarraceno perante toda a sociedade extra-capitular.

Como lidar com isso?! Cabe ao Mestre Conselheiro (ou alguém que tenha moral pra falar) intervir, tentar o diálogo, mostrar outro caminho, outra forma de se fazer a mesma coisa, porém de forma mais legal, mais clara, mais limpa, mais PURA.

E caso isso não resolva, devo me retirar do Capítulo, já que está me fazendo mal?

Não. Creio que não. Pensei em sair algumas vezes, mas um sábio herói que conhecia lá dentro chegou e me disse:

_Calma Reverente, não saia, quem é DeMolay haverá de permanecer, o resto é passageiro, por ali entrou, por ali sairá. Calma. Lembra-se das lições de Tolerância?

Assim o foi. Assim o é. Assim será.

Hoje permaneço lá, assim como o Amoroso no dele, há anos. E de lá não me retirarei fácil não. Já tolerei muitas coisas, engoli coisas que não poderia, ou não queria engolir, já passei por coisas ruins, mas nunca me esqueço das boas coisas que ali vivi. E isso haverá de permanecer.

Se pudesse aconselhar cada um que lesse este texto, diria que sempre que estiver magoado com algo, não se recorde apenas deste mau colocado, mas lembre-se dos momentos bons que antecederam isso.

Além de confortar, isso nos motiva a seguir em frente.

 

O Reverente está cansado de DeMolay fofoqueiro e de DeMolay que fala demais. Ele está seguindo dentro do trem, já tentou pular do vagão, mas o seguraram. Ele hoje está bastante decepcionado, mas motivado a continuar, porque crê que coisas melhores estão por vir. Deus há de nos salvar de trevas e saibam vocês que “Quem fala mais, erra mais.”

Ema Ema Ema…

Às vezes fico tentado a pensar na jornada que venho trilhando dentro da Ordem Demolay. Quando iniciei, era visto como o mais velho dos Iniciáticos e alguém que poderia receber apoio e investimento, pois se bem treinado conseguiria ser motivo de orgulho e continuidade dentro do Capítulo. Com o passar do tempo (pouco tempo por sinal) passei a me destacar, assim como o Cortês, e a ganhar certa credibilidade.

Percebi que após ter sido Mestre Conselheiro, ganhei grande confiança dos pais dos DeMolays, talvez pelo “juízo” ou forma de tratá-los. Sei que passei a integrar a família de cada um que se reunia ali.

É. O tempo passou e hoje vejo que de parente passei a me tornar uma espécie de Babá. Vou ao Capítulo com intuito de ajudar, claro, mas mais que isso, treiná-los para ser ótimos, porque bons já são (sim eu sou Coruja). Não sei se me vejo como o “Pai da galera”, mas a questão de idade e de tempo de Ordem me faz ser visto e me sentir como tal.

Noto por exemplo, que aos fins de semana, os garotos do Capítulo saem juntos, nem que seja pra comer um sanduíche, e rir e ficar por horas, sentados falando de Demolay. A faixa etária dessas saídas variam entre garotos de 12 anos, de 14, 15, 17 anos…e eu.

Muitas vezes percebo que funciona assim:

_Mãe, hoje os meninos vão sair, posso ir?

_Não, você não vai.

_Mas mãe, O Reverente vai.

_Vai?

_Sim!

_Então vai. Quando for vir embora peça pra ele me ligar ou lhe trazer ok?

 

E ai, me tornei um Guardião de Demolays menores de idade, aonde quer que fôssemos. Engraçado que talvez eu seja um herói como dito pelo Cortês no último post. Percebo que tudo o que fazem no Capítulo, sempre me questionam: “Está correto?”, “É assim mesmo?”.

O Reverente passou a ser como um pára-raios ou um Farol de sinalização: “isso pode”, “isso não pode”, “pode deixar que eu vigio”, “pode deixar que eu levo e trago”.

Mas por tudo isso, percebi que minhas noites têm sido melhores. Tenho aproveitado muito e aprendido também. E nos últimos tempos, tenho abandonado um pouco o fato de ser Babá e foi perceptível a imagem do Reverente perante os tios e mães e pais.

 

Um dia um DeMolay resolveu ir a uma festa e beber. O Reverente não estava junto. De repente o celular toca às 3 horas da manhã. Era o pai do Demolay, que ligava e dizia:

_Reverente, tudo bem?! Estou ligando pra lhe dizer que meu filho bebeu além do que devia e que estava com outros demolays, gostaria que você tomasse alguma providência!

Ah, meu Deus! Fiquei estático, ao mesmo tempo sentia uma culpa imensa de: “Se eu tivesse com eles, não teria acontecido”. Assim como pensei: “E o kiko?” Mas respondi:

_Está certo, vejo o que faço.

E agora o que faço? Tudo bem, tentarei o “Cantinho da Disciplina”.

 

Alguns meses depois deste acontecimento, tenho visto muitos DeMolays errando pela vida a fora e vi que há a necessidade de alguém orientá-los, e que orientar é diferente de varrer o caminho de pedras para que possam passar sem dificuldades. Às vezes é necessário pisar em pedras para aprender a dor e passar a desviar das mesmas por si só.

Notei que eles podem fazer o quanto de errado quiserem e que, por mais que doa no “senhor experiência” são coisas que eles terão de enfrentar e aprender a perceber os próprios erros sem precisar o senhor experiência apontá-los.

Às vezes, o Reverente todo sistemático fica muito revoltado com certas atitudes, mas tem aprendido que cada um é cada um, e que temos que respeitar o limite do próximo. Eles cuidam de suas trajetória enquanto o Reverente cuida da sua. Continuo a orientá-los no que devo, mas aprendi, que podem agir como quiserem, o que importa pra mim são as minhas atitudes e não as deles.

Mário Quintana me ensinou que: “O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada a ver com isso”.

Nem eu, nem eles. Cada um por si e Deus por todos.

Notei também que o “Um por todos e todos por um” é limitado à orientação e isso nos basta. “Cada um sabe a alegria e a dor que traz na coração”, e faz o que achar conveniente. Se errar, que corrija, se acertar que prossiga.

 

O Reverente continua Reverente, porém com a Síndrome da Super Nani. Ele só espera que os garotos cresçam e crescendo que aprendam: que juízo cabe em qualquer lugar.