Quem quer dinheiro?

Iniciação + Mensalidades + Paramento Completo + Encontros Regionais + Elevação + Congressos + Investidura + Viagens ao Convento e outros Capítulos + Mensalidade do Convento + Mensalidade do Colégio…

E por aí vai. Agora me responde: dá pra ser DeMolay sem grana? Não. NÃO. DEFINITIVAMENTE, NÃO.
E não me venham com esse papo romântico que devemos acolher e ajudar. Se seu Capítulo tem essa grana toda pra dividir estes custos, deviam abrir uma ONG na periferia. Gente, a Ordem DeMolay é MAIS UMA INSTITUIÇÃO, quer queiram vê-la como um clube, como uma associação de bairro, como entidade religiosa, qualquer coisa – não vem ao caso! E TODA instituição precisa de dinheiro para manter uma estrutura minimamente.

Já estou com meu escudo aqui pra me defender das pedras que virão. Mas podem jogar à vontade, porque minha resposta é a seguinte: Ah, então qualquer que seja uma boa pessoa realmente pode iniciar sem ter grana. Ok. O padrinho vai pagar a Iniciação (se for Maçom ou Senior já mais velho, claro, porque DeMolay não tem grana pra isso), o Capítulo vai isentar da mensalidade (e com isso esse cara vai praticamente usar de uma “quota” em detrimento de quem honra sua obrigação), todos os Irmãos vão dividir os custos de inscrição, hospedagem e transporte para os eventos (afinal, todos têm dinheiro para pagar a sua parte que é SEMPRE BARATA DEMAIS, Ó CÉUS E MAIS! Pagar mais uma parte, afinal, dinheiro é mato) daqueles que não tem como pagar, e por aí vai???

Não, gente. Não é assim que acontece. Temos que ser mais realistas. Em momento algum falei sobre a capacidade e os atributos de um possível DeMolay. Não é isso que está em discussão. Eu não me sentiria bem num lugar em que não consigo acompanhar aqueles ao meu redor. Pensem só: todos querem sair depois da reunião para um bar ou um show que pede 15 reais para entrar. Eu já tenho tudo pago pelos Irmãos, mas resolvo ir. Ok, de onde vem esse dinheiro? Se tem pro show, porque não tem pro Capítulo? Complicado. Outra situação: imaginem dois Irmãos num congresso e a barraquinha da Sete Virtudes vendendo aquele zilhões de coisas. Todos compram os rituais novos, pins, camisas etc. De onde eu vou arranjar dinheiro se o próprio evento foi uma doação?

Infelizmente, a nossa Ordem ainda não tem condições financeiras para sustentar “isentos”, no sentido literal da palavra. Temos que confiar que a via de mão dupla entre membros que pagam suas taxas obrigatórias e a instituição que oferece serviços, servirá para, no futuro, fortalecermos nossas estruturas no sentido de pensarmos até em fazer com que jovens de outras classes sociais se tornem DeMolay.

Nossa Ordem não é para ricos, tampouco para pobres. E acho que dizer isso dói muito, mas tem que deixar de ser um tabu. Não conheço nenhum DeMolay que não tenha boas condições de frequentar a Ordem, afinal trabalham e eles mesmos pagam suas taxas e custos relacionados ao seus Capítulos e compras diversas. O que tem que parar é o romantismo exacerbado em que a demagogia impera sobre a racionalidade – assim são os pobres, mas de espírito.