Ema Ema Ema…

Às vezes fico tentado a pensar na jornada que venho trilhando dentro da Ordem Demolay. Quando iniciei, era visto como o mais velho dos Iniciáticos e alguém que poderia receber apoio e investimento, pois se bem treinado conseguiria ser motivo de orgulho e continuidade dentro do Capítulo. Com o passar do tempo (pouco tempo por sinal) passei a me destacar, assim como o Cortês, e a ganhar certa credibilidade.

Percebi que após ter sido Mestre Conselheiro, ganhei grande confiança dos pais dos DeMolays, talvez pelo “juízo” ou forma de tratá-los. Sei que passei a integrar a família de cada um que se reunia ali.

É. O tempo passou e hoje vejo que de parente passei a me tornar uma espécie de Babá. Vou ao Capítulo com intuito de ajudar, claro, mas mais que isso, treiná-los para ser ótimos, porque bons já são (sim eu sou Coruja). Não sei se me vejo como o “Pai da galera”, mas a questão de idade e de tempo de Ordem me faz ser visto e me sentir como tal.

Noto por exemplo, que aos fins de semana, os garotos do Capítulo saem juntos, nem que seja pra comer um sanduíche, e rir e ficar por horas, sentados falando de Demolay. A faixa etária dessas saídas variam entre garotos de 12 anos, de 14, 15, 17 anos…e eu.

Muitas vezes percebo que funciona assim:

_Mãe, hoje os meninos vão sair, posso ir?

_Não, você não vai.

_Mas mãe, O Reverente vai.

_Vai?

_Sim!

_Então vai. Quando for vir embora peça pra ele me ligar ou lhe trazer ok?

 

E ai, me tornei um Guardião de Demolays menores de idade, aonde quer que fôssemos. Engraçado que talvez eu seja um herói como dito pelo Cortês no último post. Percebo que tudo o que fazem no Capítulo, sempre me questionam: “Está correto?”, “É assim mesmo?”.

O Reverente passou a ser como um pára-raios ou um Farol de sinalização: “isso pode”, “isso não pode”, “pode deixar que eu vigio”, “pode deixar que eu levo e trago”.

Mas por tudo isso, percebi que minhas noites têm sido melhores. Tenho aproveitado muito e aprendido também. E nos últimos tempos, tenho abandonado um pouco o fato de ser Babá e foi perceptível a imagem do Reverente perante os tios e mães e pais.

 

Um dia um DeMolay resolveu ir a uma festa e beber. O Reverente não estava junto. De repente o celular toca às 3 horas da manhã. Era o pai do Demolay, que ligava e dizia:

_Reverente, tudo bem?! Estou ligando pra lhe dizer que meu filho bebeu além do que devia e que estava com outros demolays, gostaria que você tomasse alguma providência!

Ah, meu Deus! Fiquei estático, ao mesmo tempo sentia uma culpa imensa de: “Se eu tivesse com eles, não teria acontecido”. Assim como pensei: “E o kiko?” Mas respondi:

_Está certo, vejo o que faço.

E agora o que faço? Tudo bem, tentarei o “Cantinho da Disciplina”.

 

Alguns meses depois deste acontecimento, tenho visto muitos DeMolays errando pela vida a fora e vi que há a necessidade de alguém orientá-los, e que orientar é diferente de varrer o caminho de pedras para que possam passar sem dificuldades. Às vezes é necessário pisar em pedras para aprender a dor e passar a desviar das mesmas por si só.

Notei que eles podem fazer o quanto de errado quiserem e que, por mais que doa no “senhor experiência” são coisas que eles terão de enfrentar e aprender a perceber os próprios erros sem precisar o senhor experiência apontá-los.

Às vezes, o Reverente todo sistemático fica muito revoltado com certas atitudes, mas tem aprendido que cada um é cada um, e que temos que respeitar o limite do próximo. Eles cuidam de suas trajetória enquanto o Reverente cuida da sua. Continuo a orientá-los no que devo, mas aprendi, que podem agir como quiserem, o que importa pra mim são as minhas atitudes e não as deles.

Mário Quintana me ensinou que: “O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada a ver com isso”.

Nem eu, nem eles. Cada um por si e Deus por todos.

Notei também que o “Um por todos e todos por um” é limitado à orientação e isso nos basta. “Cada um sabe a alegria e a dor que traz na coração”, e faz o que achar conveniente. Se errar, que corrija, se acertar que prossiga.

 

O Reverente continua Reverente, porém com a Síndrome da Super Nani. Ele só espera que os garotos cresçam e crescendo que aprendam: que juízo cabe em qualquer lugar.

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