Então é Natal, e o que você fez?

Participando de Campanhas Filantrópicas durante o fim do ano no meu Capítulo percebi 3 grupos distintos de DeMolays:

1 – Os que não se interessam e nem se preocupam com a Campanha mesmo sabendo que ela está acontecendo.

2 – Os que se preocupam com a Campanha.

3 – Aqueles que nem sabe que estão fazendo Campanha.

 

A Campanha se baseava no apadrinhamento de cartas que crianças carentes mandavam para o Papai Noel (que ainda acreditam existir), os pedidos variam entre carrinhos, bonecas, playstation 2, bicicletas (grande quantidade) porém nada se equipara ao número de pedidos de Cestas Básicas e Materiais Escolares.

Engraçado notar que crianças de 7, 8, 10 anos escrevem de próprio punho (notável) pedindo coisas para comer. Uma delas (a primeira carta apadrinhada) dizia:

“Querido Papai Noel, em casa somos em 4 pessoas mais a minha mãe e o meu pai, eles não tem condições de sustentar a casa e todos os filhos. Aqui comemos todos os dias arroz, feijão, farinha e às vezes tem ovos. Eu queria pedir pro Senhor, algo bom pra comer no Natal, queria muito ver meus pais satisfeitos com algo bom.”

Outra criança dizia:

“Papai Noel, em casa guardo minhas roupas numa pequena mesa que fica no canto do meu quarto. Elas ficam dobradas e empilhadas, gostaria de ganhar um guarda-roupa…”

 

Como não se sensibilizar?

 

Pois percebe-se que são poucos os DeMolays que realmente abraçaram a Campanha. Talvez que seja ruim, talvez que seja bom. Mas 450 cartas foram apadrinhadas. Nosso trabalho se resumiu durante 1 mês exato em: pegar as cartas, selecioná-las, computá-las no sistema, numerá-las e sair por toda a cidade durante as 9 da manhã às 18 horas aproximadamente, no comércio todo conversando com patrões e funcionários e indo também nas casas de parentes e conhecidos, para que pudessem ler algumas cartinhas e apadrinhá-las com o que lhe cabia no orçamento.

Assim sendo, anotávamos o padrinho, separávamos a carta e marcávamos os dias pra buscar os presentes.

Foram 2 semanas para apadrinhar e 2 semanas para pegar os presentes. Tudo isso a pé, contando de vez em quando com a carona de um Tio Maçom, pai de um dos DeMolays mais empenhados.

O final?

Na última semana etiquetar todos os presentes arrecadados com nome da criança e endereço. Embrulhar os que estavam sem embrulho, limpar os brinquedos usados e montar a rota de distribuição.

Foram dois dias de entrega, árduos e cansativos. Um DeMolay vestido de Papai Noel e outro de Duende. Entre risadas, gargalhadas, trabalho e muito cansaço, entregamos de porta em porta dentro de uma Kombi Amarelo ouro o tão esperado presente de Natal.

 

Em uma das casas a mãe pegou o portão e o retirou (a casa era tão precária que nem o portão era junto do muro, era um pedaço de ferro de lata de óleo juntadas com pregos), quando ela viu uma Cesta de Natal com chocolates, panetone, bolachas, refrigerante, ela segurava o embrulho, olhava estagnada pra Kombi sem dizer nenhuma palavra ficou estática, enquanto 5 crianças maltrapilhas e descalças pulavam ao seu redor fazendo festa. Lágrimas escorriam entre os olhos, e como quem não sabia o que dizer secava com uma das mãos. Quando a Kombi se distanciava ela disse: “Que Deus os abençoe…”

 

Numa segunda oportunidade, chegamos em uma casa onde 2 filhos receberam presentes, a garota de 4 anos recebeu uma boneca (simples), e o garoto alguns cadernos, bolsinha, lápis, borracha e lápis de cor. A mãe pulava eufórica e gritava:

“Oh! Meu Deus, o Senhor é bom demais pra mim! Meus filhos ganharam o presente!!! Eu rezei tanto, eu pedi tanto. Oh! Meu Deus, obrigada por me ouvir, fazer meus filhos felizes. Moço, a minha vida não é fácil mas uma coisa que eu nunca deixo de lado é Deus, eu sei que Ele está comigo sempre, Ele me ouve, me atende, eu só tenho a agradecer. Muito obrigada que possa Ele, abençoar vocês!”

 

Foi o primeiro dia que eu chorei.

 

O Reverente se cala percebendo essa calamidade. Ele se cala diante desta fé tão segura. Ele se cala diante de tantos “nãos” que recebeu. Ele se cala por cada DeMolay que se recusou a trabalhar em prol da felicidade alheia. Ele se cala diante de uma Nação solidária. De gente que doa, que se doa, que tira de si, tempo, minutos e horas pra fazer compras e escolher um presente pra quem realmente necessita. Ele se cala diante de tanta pobreza, de tanta fé e tanta esperança em dias melhores. Que possa Deus trazer votos de bom Natal a Humanidade que sente sede de ânimo, de solidariedade e respeito ao ser humano.

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