Brancas nuvens

Desde que ele foi iniciado, sempre foi freqüente, solítico, participativo, atuante e dinâmico. Adorava o sábado de reunião, desde aquelas duas horas que antecedem o momento até as duas horas após, quando os mais chegados se juntavam na casa de um ou outro para jogar conversa fora. Falar da vida, da escola, das namoradas, das festas… E dos assuntos capitulares, como não? Sentia-se responsável por aquilo da mesma forma que um presidente sente-se responsável pelo país que governa. E cobrava de si e dos demais que tivessem uma postura mais paternalista em relação ao Capítulo.

O tempo foi passando e ele acabou se destacando mais que os outros. Segundo Conselheiro, Primeiro Conselheiro, Mestre Conselheiro… E queria a região, o estado, o país. Fez alianças, criou projetos, incentivou novos líderes. Apoiado com louvor e sem nenhuma dificuldade: seu carisma era nítido e todos, (in)felizmente, o invejavam por isso. E mesmo assim ele trabalhava: não parava, não parava, não parava. Constante. Intenso. Incontível.

Mas a maioridade foi se aproximando e, num susto, ele se viu com 21 anos e sem saber o que fazer com todo o castelinho de areia que havia construído. Quem vai cuidar agora? Quem vai cuidar como eu cuidei? Quem saberá cuidar? De repente, um tsunami de novas lideranças derrubaram seus sonhos. Tudo foi por água abaixo. E ele viu toda a sua vida passar rapidamente diante de seus olhos…

Seu passado tinha sido uma mancha branca. Suas ações, suas palavras e os resultados delas também. Nada fazia sentido naquilo que via – tudo muito diferente do que ele tinha vivido e feito. Ninguém o via, ninguém o admirava, ninguém o seguia: ele não existia. Era um nada, um zero à esquerda, um dois de paus. Seus sonhos não existiram e a realidade que ele havia construído era outra. O que fazer? Chorar? Gritar? Morrer? Não. Desistir era mais fácil.

Era mais fácil achar que tinha sido trocado, que tinha sido apenas mais um bonequinho de uma máquina muito bem azeitada. Mais um que era usado e que, no tempo certo, era descartado. Mais um que lutou por aquilo em que acreditava ser a melhor coisa de sua vida e, quando viu, aquilo tudo não tinha nada de bom. Enfim… Mais um que se sacrificava em nome do bem maior. E sua vida sem sentido, para ele passada em brancas nuvens, tornou-se para ele uma forma de deslumbrar novas possibilidades e seguir outros caminhos.

E só o bom exemplo permaneceu. E ele não percebeu.

*******

O Cortês tentou, em poucas linhas, ensinar aos seus leitores o que realmente importa quando se trata de liderança. Parece sem nexo, mas não é.

8 Comentários

  1. Issso não é uma despedida, é?

  2. Esperamos sinceramente ki naum seja… =/

  3. Não gente…não haverá de ser!!!
    Acho que é só lição mesmo…ele ha de permanecer…
    =]

    Perfect o texto !

  4. Nossa, mas ficou parecendo despedida???
    Nem é, povo…

    Não ainda.

  5. Tudo tem seu tempo certo!
    ainda bem ki ainda naum..aoskaoskoa..
    ;D
    parebens cortes..sou seu fã!

  6. Excepcional seu texto….
    Sou mãe de um adolescente q passou por tudo isto q vc contou aqui…e posso afirmar com todas as letras…q realmente,é tudo isto q acontece…pq vi de perto toda sua glória…todo seu entusiasmo…todas as suas dores e frustações…fracassos….alegrias e tristezas…e pode ter a certeza q como MÃE,tbm tive todos estes sentimentos por ele sentido.
    Hj,ele ainda AMA A ORDEM,VESTE A CAMISA,E FAZ DE UM TUDO PARA Q ESTA SE MANTENHA COM SEUS PROPÓSITOS.
    Como ele mesmo diz….FÁCIL Ñ É,MAS,TBM Ñ É IMPOSSÍVEL.rsrsrsrsr
    Sou MÃE…FÃ…E ADMIRADORA DE MEU FILHO,q é uma pessoa dígna e q luta pelos seus ideais….e de todos os DEMOLAYS q de certa forma estão tentando se aperfeiçoarem e tornarem este mundo um pouco melhor.
    PARABÉNS A TODOS VCS.
    sOU FÃ NÚMERO UM DE VCS!!!
    bJS

  7. “Se quer conhecer uma pessoa, dê poder à ela”

    Parabéns Demolays

  8. Conheço bem cada palavra descrita, cada linha, cada sensação… o fim é um novo inicio… é interessante, meio desolador, uma confusão…
    lagrimas, tristeza, alegria e revolta tudo junto…

    um rito de passagem, enfim…

    excelente texto meu irmão, parabéns!


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