Incorporando mais uma vez o espírito de porco da polêmica, escolhi esse título para tratar de um assunto comum das rodas demolísticas da vida. Até que ponto uma opção é um sacrifício ou um suicídio coletivo? Vale a pena correr riscos? Há recompensa no final?
Quando atingimos posições de liderança na Ordem DeMolay, seja como MC, MCR, MCE ou MCN, as nossas escolhas passam a ser cada vez mais complexas. Uma postura equivocada pode custar o sonho de um jovem DeMolay e até mesmo um abandono. Lembro na minha época de DeMolay ativo, quando queriam procurar os DeMolays que há muito não frequentavam. Eu era categórico: “se eles não estão aqui é por opção. Antes eles fora do que eu”. Quando me tornei MC, vi que não podia ser bem assim e fui amadurecendo essa idéia. Passado algum tempo, vi que toda pessoa que venha, que vá ou que volte é importante para o DeMolay (já falei de ciclos).
Mas aí, continuei subindo de função. A cada nova conquista pessoal, mas ouvia o grilo falante repetindo as palavras do tio Ben “um grande poder traz grandes responsabilidade, Peter”. E os caminhos iam convergindo para que as escolhas fossem cada vez mais complicadas (já falei de escolhas). E comecei a lembrar e falar uma frase de um filósofo que não lembro o nome agora: “existem mais coisas entre o céu e a terra do que a nossa vã filosofia”.
A idade só acelerou a visão de que o filósofo está certo (e olha que sou bem novinho, mesmo comparado aos demais pára-quedistas (protesto: eu quero que o acento diferencial permaneça no português). E as malditas opções foram sendo pouco a pouco reduzidas e quando as temos, são pouco distintas. E, cada vez mais, um séquito de jovens e velhos passam a depender dessas escolhas. E, dia mais, dia menos, você faz algumas que inicialmente não estava preparado para fazer, mas o faz. Podem até acusar de egoísmo ou coisa do tipo. Afinal, é uma decisão sua. Mas, quase todas agora, resultam sempre em dois caminhos: ou um suicídio coletivo ou um sacrifício coletivo? Qual escolher? Não depende apenas de nós…
O resultado final é bom? Se tivéssemos como prever o futuro, acho que o presente já seria diferente, não é? E sabe qual é a melhor recompensa? Saber que sua escolha fez a diferença na vida de alguém…
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Senhor:
Risco e vida são concomitantes, andam de braços dados, como dois amigos de longa data.
Não há nesta existência alguma experiência que não envolva risco. Eu quero ir pra Marte, mas sei que o foguete pode explodir, faltar gasolina no meio do caminho, alguém vir comer minha esposa na minha ausência, topar com algum marciano canibal…
Se alguém quer chegar a este posto de mando, ante de mais anda, deve estar cônscio que TUDO será contra ele, desde os amogos que se tornam invejosos até a namorada que ficará com ciúmes que nunca teve na vida.
UMa das granes virtudes dessa Ordem é jamais ter tido alguém algo inteligente para aconselhar COM HONESTIDADE E DECÊNCIA os garotos.
Tudo envolve também desdobramentos. Ninguém pode se considerar a mesma pessoa após dar um passo à frente (Chico Science).
Infelizmente (ou felizmente) o peso dos “colares” não tirou o meu sono, mas todos em algum momento, seja como DeMolay ativo ou na vida profana, nos deparamos com decisões difíceis de tomar. E por mais tentador que seja passar essa responsabilidade adiante, como uma bomba prestes a explodir, devemos correr os riscos. Caso contrário iremos sempre viver à sombra dos outros.
…
“Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”
Hamlet – William Shakespeare